O legado de um estadista no Palácio Anchieta
José Renato Casagrande encerrará seu ciclo como chefe do Executivo estadual nesta quinta-feira (2), quando passará a faixa ao vice-governador Ricardo Ferraço.

Por Júnior Abreu
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiJosé Renato Casagrande encerrará seu ciclo como chefe do Executivo estadual nesta quinta-feira (2), quando passará a faixa ao vice-governador Ricardo Ferraço. Considerando os anos do primeiro mandato como governador do Estado (2011–2014), Casagrande terá permanecido por 11 anos e três meses à frente do Governo do Estado — o ponto mais alto de sua trajetória como homem público até agora.
Eu poderia usar todo este espaço para enumerar as realizações históricas de seus governos (como a ampliação da Terceira Ponte, com a Ciclovia da Vida; o fim do pedágio; a volta do aquaviário; a entrega do Cais das Artes; e a redução da taxa de homicídios ao menor nível da história do ES), mas quero me ater ao testemunho sobre o estadista com o qual trabalhei.
Um líder que se transformou simplesmente em “Casão” para o povo capixaba — e isso diz muito sobre quem ele é. De fino trato com seus colaboradores, Casagrande, um democrata desde sempre, exerceu sua liderança fincada no diálogo e no respeito às instituições e à independência entre os Poderes — e fez da harmonia a via para conduzir o Espírito Santo pela história. Um traço marcante de Renato Casagrande é sua generosidade, testemunhada por mim. Vi de perto a boa vontade em transmitir todo o seu conhecimento e experiência a nós, seus auxiliares diretos.
No momento mais confuso e dilacerante da história recente, a crise sanitária da Covid-19, Casagrande fez o que se espera de um líder: ouviu a quem precisava, ponderou e tomou as decisões necessárias. Uma liderança nunca é alguém autossuficiente, mas, sim, quem tem humildade e a compreensão de que todos nós temos aptidões e limitações.
A história mostra que o autoritarismo não leva a humanidade a lugar algum. Ou melhor, conduz-nos aos piores lugares.
Casagrande sai do comando do Executivo estadual tendo estabelecido um modelo de cooperação para construir o futuro a partir dos municípios — uma escolha política que colocou as 78 cidades capixabas no centro das decisões do Palácio Anchieta.
Casagrande tem a clareza de que, apesar de sermos do Estado do Espírito Santo, as pessoas moram, de fato, em seus municípios.
Ele deixa o Palácio Anchieta — e deixa também sua marca: o “jeito Casão” de fazer política.
***Júnior Abreu é administrador e secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Estado.
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