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Os semáforos sonoros

Temos que ficar atentos aos agentes políticos comprometidos com a causa da inclusão social.

5 mins de leitura

em 07 de maio de 2024, às 16h42

Os semáforos sonoros desempenham um papel fundamental na promoção da acessibilidade e inclusão social das pessoas com deficiência visual.
Os semáforos sonoros desempenham um papel fundamental na promoção da acessibilidade e inclusão social das pessoas com deficiência visual.

Por Marcel Carone

Os semáforos sonoros são dispositivos de trânsito projetados para auxiliar pedestres com deficiência visual a atravessar ruas e cruzamentos com segurança. A importância dos semáforos sonoros para pessoas com deficiência é imensurável, pois proporcionam independência, autonomia e segurança no deslocamento pelas vias públicas.

A acessibilidade é um direito fundamental de todas as pessoas, independentemente de suas limitações físicas. No caso das pessoas com deficiência visual, a mobilidade urbana pode ser um desafio, pois a falta de informações visuais dificulta a identificação de obstáculos e a percepção do trânsito ao redor. Os semáforos sonoros surgem como uma solução eficiente para minimizar essas dificuldades, permitindo que essas pessoas possam se locomover com mais segurança e confiança ao ir e vir. 

Além de proporcionar segurança, os semáforos sonoros também têm um impacto positivo na inclusão social das pessoas com deficiência visual. Ao garantir a acessibilidade nas vias públicas, esses dispositivos contribuem para a participação plena dessas pessoas na sociedade, permitindo que elas tenham maior independência e possam desempenhar suas atividades cotidianas de forma mais autônoma.

Infelizmente, os acidentes envolvendo pessoas com deficiência visual em faixas de pedestres ainda são uma realidade preocupante. A falta de acessibilidade adequada e a falta de conscientização por parte dos condutores são alguns dos principais fatores que contribuem para esses acidentes.

A deficiência visual implica em uma maior dependência dos sentidos auditivos e táteis para a locomoção e percepção do ambiente ao redor. As faixas de pedestres são espaços designados para a travessia segura dos pedestres, mas muitas vezes não possuem as devidas adaptações para atender às necessidades das pessoas com deficiência visual.

A ausência de semáforos sonoros, sinalização tátil no piso e informações sonoras adequadas dificultam a identificação e o reconhecimento das faixas de pedestres por parte dessas pessoas. Além disso, a falta de educação e conscientização dos condutores sobre a importância de respeitar a travessia dos pedestres pode levar a situações de risco e acidentes.

É necessário investir na conscientização e educação para o trânsito inclusivo, tanto para os pedestres como para os condutores. Os condutores devem ser orientados a respeitar a travessia dos pedestres, especialmente das pessoas com deficiência visual, reduzindo a velocidade e cedendo a passagem de forma segura. Já os pedestres com deficiência visual devem receber treinamento adequado para utilizar as faixas de pedestres de forma segura, utilizando as ferramentas inclusivas disponíveis.

A fiscalização por parte dos órgãos responsáveis também é fundamental para garantir o cumprimento das normas de trânsito e a segurança dos pedestres, incluindo aqueles com deficiência visual. É importante que as autoridades estejam atentas a possíveis irregularidades e atuem de forma efetiva para prevenir acidentes e garantir a acessibilidade nas faixas de pedestres, além de cumprir a lei e proporcionar as ferramentas inclusivas que a legislação determina que estejam disponíveis para deficientes visuais. 

No Brasil, o Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito (MBST) Volume V – Sinalização Semafórica, integrante do Anexo V da Resolução CONTRAN n.º 973, de 18 de julho de 2022, institui o regulamento de sinalização viária, de disposições acerca da inclusão de padrões de sinalização semafórica para proporcionar uma travessia com mais segurança para pedestres com deficiência visual em cruzamentos semaforizados. Os equipamentos não auxiliam apenas a cegos ou quem tem baixa visão, mas também são importantes para pedestres distraídos e idosos. Os semáforos sonoros devem ser instalados em locais estratégicos, como cruzamentos movimentados e vias de grande circulação, ou que deem acesso aos serviços de reabilitação, para garantir a segurança e a autonomia dos pedestres com deficiência visual.

É importante ressaltar que a efetiva implementação dos semáforos sonoros depende não apenas da existência da legislação, mas também do comprometimento e da conscientização dos órgãos responsáveis e da sociedade em geral. É fundamental que os poderes públicos invistam na infraestrutura necessária e na manutenção adequada desses dispositivos, garantindo a sua funcionalidade e efetividade.

Além dos semáforos sonoros, outras tecnologias e soluções também podem contribuir para a acessibilidade das pessoas com deficiência visual no trânsito, como a sinalização tátil no piso, a utilização de aplicativos de navegação específicos e a educação para o trânsito inclusivo. A combinação dessas diferentes estratégias pode proporcionar um ambiente urbano mais inclusivo e acessível para todos os cidadãos.

Os semáforos sonoros desempenham um papel fundamental na promoção da acessibilidade e inclusão social das pessoas com deficiência visual. Esses dispositivos garantem a segurança e a autonomia dos pedestres com deficiência, possibilitando que eles possam se deslocar pelas vias públicas com mais independência e confiança. A existência de legislação específica, políticos comprometidos com a inclusão social e a conscientização da sociedade são essenciais para assegurar a efetiva implementação e utilização dos semáforos sonoros, contribuindo para um trânsito mais inclusivo e acessível para todos.

Marcel Carone é jornalista, apresentador de tv, empresário, ativista social comprometido com a inclusão, Embaixador da Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Síndrome de Down do Espírito Santo Vitória Down, Idealizador da “Brigada 21” e do “Pelotão 21”. É diplomado pela ADESG – Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra e Comendador do 38° Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro. 

As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM

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