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Sustentabilidade e Meio Ambiente

Estudo revela registros inéditos de três espécies de formigas no ES

O estudo da ocorrência dessas três espécies nas florestas capixabas começou de forma inusitada. O pesquisador Jorge Souza coletou indivíduos no prédio onde morava, no centro de Santa Teresa/E

Por Redação

3 mins de leitura

em 05 de mar de 2024, às 11h37

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Três espécies de formigas do gênero Cylindromyrmex tiveram sua distribuição na Mata Atlântica atualizada, após registros em 13 municípios capixabas: Santa Teresa, Vila Valério, Sooretama, Linhares, São Roque do Canaã, Pancas, Itaguaçu, Santa Maria de Jetibá, Domingo Martins, Santa Leopoldina, Alfredo Chaves, Guarapari e Itapemirim.

As espécies C. brasiliensis, C. brevitarsus e C. longiceps não eram conhecidas para o Espírito Santo até a publicação de artigo, no último dia 26 de fevereiro, na revista internacional “Sociobiology”, assinado por três pesquisadores do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA): Jorge Souza, Ricardo Vicente e Pedro Bartholomay.

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O estudo da ocorrência dessas três espécies nas florestas capixabas começou de forma inusitada. O pesquisador Jorge Souza coletou indivíduos no prédio onde morava, no centro de Santa Teresa/ES, e também na Estação Biológica de Santa Lúcia, no mesmo município, onde muitos pesquisadores do INMA realizam trabalhos de campo.

A partir dessa coleta, os entomólogos – especialistas dedicados ao estudo dos insetos – empreenderam uma busca meticulosa nas coleções biológicas do Espírito Santo e de São Paulo. Contudo, esse esforço resultou na identificação de 71 registros relacionados ao estado capixaba.

Dos registros de Cylindromyrmex, 93% foram encontrados em áreas florestais e os outros 7% foram avistados em áreas urbanas. No entanto, as espécies estão predominantemente distribuídas em áreas montanhosas da região.

Aliás, os espécimes foram coletados entre 2003-2023 e estavam depositados nas coleções entomológicas, sem identificação na maioria dos casos.

Três espécies de formiga

Contudo, as três espécies identificadas são predadoras e “inquilinas” de cupinzeiros. Têm um corpo cilíndrico, razão do nome Cylindromyrmex, característica que facilita seu comportamento críptico. Essas formigas vivem em ambientes subterrâneos, habitando, principalmente, cavidades e galhos ocos.

A coleta dessas espécies é rara. Geralmente só ocorre durante os meses mais quentes e em períodos chuvosos. Isso sugere uma preferência por voos nupciais no verão e em áreas urbanas próximas a florestas, como observado na cidade de Santa Teresa/ES.

“A redescoberta do gênero Cylindromyrmex para o Espírito Santo destaca a necessidade contínua de pesquisa e atualização do conhecimento sobre a biodiversidade. Até em biomas extensivamente estudados, como a Mata Atlântica. Portanto, esse estudo contribui com o conhecimento sobre a distribuição do gênero para o Brasil. Aliás, isso fornece novos dados sobre a diversidade e distribuição desses insetos”, destaca Jorge Souza.

A pesquisa ressalta a importância da curadoria e publicação eficientes de dados científicos, com o objetivo de minimizar a lacuna entre a coleta e a descrição oficial de espécies depositadas em coleções entomológicas.

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