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Cidades

Mimoso: psicólogos levam atendimento aos afetados pelas enchentes

Só em Mimoso do Sul, 18 pessoas morreram e uma continua desaparecida. Cerca de 10 mil pessoas ficaram desalojadas. Muitas residências e comércios continuam destruídos.

Por Redação

3 mins de leitura

em 27 de maio de 2024, às 18h13

Foto: Diocese de Cachoeiro

A tragédia com a chuva completou dois meses. O temporal, que atingiu o estado por dois dias, foi considerado um dos mais fortes das últimas décadas. E o trauma de quem sofreu as consequências persiste: no menor sinal de mau tempo, quem está na rua tenta encontrar um abrigo seguro, e quem mora em área de risco se apavora com medo de uma nova tragédia.

Só em Mimoso do Sul, 18 pessoas morreram e uma continua desaparecida. Cerca de 10 mil pessoas ficaram desalojadas. Muitas residências e comércios continuam destruídos.

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O aposentado Willian Júnior, perdeu praticamente tudo, inclusive a casa localizada na Av. Monte Cristo. No último sábado, 25 de maio, recebeu atendimento psicológico que, segundo ele, o ajudou a superar o trauma. “Saí leve da consulta que tive. Desde o ocorrido, estou atordoado, me assusto à toa, não consigo ficar em multidão porque fico nervoso, agora eu tenho pavor do escuro, e comecei a gaguejar. Acho que se criou um grande trauma”, disse.

Diante de tantas perdas, cuidar do estado emocional das vítimas é mais um desafio. Para atender a essa demanda de apoio psicossocial às vítimas das enchentes, o Vicariato Episcopal para Ação Social da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, através da Cáritas Diocesana, reuniu psicólogos, para compor uma equipe que, voluntariamente, atendeu dezenas de vítimas afetadas. O projeto “Psicólogos Solidários” foi coordenado por José Carlos Ferreira da Silva que, além de clérigo, é um renomado psicólogo com especialidade em neuropsicologia. José Carlos conta que diante desse cenário, o atendimento psicológico foi voltado ao apoio emergencial.

“O principal objetivo do plantão psicológico foi oferecer apoio psicológico emergencial às vítimas das enchentes, visando acolher, escutar e orientar as pessoas afetadas, promovendo o alívio do sofrimento emocional, o fortalecimento da resiliência e a facilitação do processo de adaptação e recuperação diante das perdas e traumas vivenciados.”

A psicóloga Luilma Pinto foi uma das voluntárias presentes esse primeiro atendimento.

“Nosso trabalho aqui é mapear o que ainda é ferida aberta e orientar ao cuidado para que isso um dia vire cicatriz”, conta ela.

Desastres anteriores como ocorrido em dia 18 de janeiro de 2020, no município de Iconha, mostram que pessoas que recebem o apoio psicológico logo nas primeiras semanas tem menos chances de desenvolver um quadro mais grave no futuro.

“As pessoas que já tem uma pré disposição podem ter episódios de crises de angústias, transtorno de ansiedade, de estresse pós-traumático e chegar até mesmo  a uma depressão, avalia Luilma,”é um trauma individual e mais do que isso: é um trauma coletivo. Porque afeta não só uma pessoa, mas uma cidade e comunidades inteiras”.

Padre José Carlos afirma que não há prazo para o fim da tragédia:”A tragédia se prolonga enquanto houver sofrimento. E os Psicólogos da Solidariedade surge no coração de Dom Luiz Fernando Lisboa (bispo diocesano), durante sua visita ao município de Mimoso como uma ação para ouvir e ajudar a amenizar o sofrimento dessa população que passou por essa grande tragédia”

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