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Nacional

Morre economista Maria da Conceição Tavares, aos 94 anos

Nascida em Portugal, Maria da Conceição Tavares, se dedicou a lutar por uma sociedade mais justa.

Por Redação

4 mins de leitura

em 08 de jun de 2024, às 14h18

Foto: Fernando Frazão | Agência Brasil

Referência do pensamento econômico desenvolvimentista, a economista Maria da Conceição Tavares morreu neste sábado aos 94 anos, em Nova Friburgo, onde morava com a família. A causa da morte não foi divulgada. Ela deixa dois filhos, Laura e Bruno, dois netos, Ivan e Leon, e o bisneto Théo.

Toda via, a economista se notabilizou pela defesa de uma sociedade mais justa e solidária e formou diversas gerações de economistas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E na Universidade de Campinas (Unicamp), incluindo nomes como a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-senador José Serra, entre muitos outros.

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Natural de Portugal

Nascida em 1930 em Anadia, no distrito de Aveiro, em Portugal, ela migrou para o Brasil em meio à ditadura salazarista, em 1954, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. Ainda assim, naturalizou-se brasileira em 1957 e, em terras brasileiras, desenvolveu uma extensa carreira como economista. Maria foi influenciada pelo pensamento de Celso Furtado, Caio Prado Jr. e Ignácio Rangel.

No X, o presidente Luis Inácio Lula da Silva lamentou a morte de Maria da Conceição Tavares. 

Maria da Conceição Tavares
Foto: @ricardostuckert

“Tive o prazer e a honra de conviver e conversar muito com minha amiga ao longo dos anos. Debatendo o Brasil e os nossos desafios sociais e econômicos no Instituto Cidadania, em conversas no Rio de Janeiro ou em viagens pelo Brasil. De antemão, nesse momento de despedida, meus sentimentos aos familiares, em especial aos filhos, aos muitos amigos, alunos e admiradores de Maria da Conceição Tavares”, acrescentou Lula.

Nesse ínterim, Maria da Conceição chegou a participar da elaboração do plano de metas do governo Juscelino Kubitschek. Além disso, se destacou nos estudos sobre substituição das importações, tendo trabalhado na Comissão Econômica para América Latina (Cepal).

Escritora

Bem como, publicou centenas de artigos e dezenas de livros, dentre os quais textos clássicos e considerados obrigatórios nos cursos de economia, como o famoso “Auge e Declínio do Processo de Substituição de Importações no Brasil – Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro”, obra publicada em 1972. Além disso, ganhou o Prêmio Jabuti 1998, na categoria economia.

Nesse sentido, nos últimos anos, ganhou fama entre jovens nas redes sociais. Com o compartilhamento de vídeos de entrevistas e aulas em que faz discursos enérgicos, em seu estilo franco e despudorado, sobre o processo de industrialização nacional. Tanto quanto, ela criticava, por exemplo, a política econômica do regime militar no Brasil. Chegou a ser presa por agentes da ditadura, por 48 horas, em 1974.

Do mesmo modo, teve grande influência sobre a elaboração do Plano Cruzado, no governo de José Sarney, e chegou a se emocionar durante entrevista em rede nacional de TV ao dizer que o plano foi o primeiro programa anti-inflacionário a não prejudicar o trabalhador.

Frequentemente, sempre buscou se posicionar, distanciando-se da neutralidade. Foi uma das principais conselheiras econômicas do PMDB no período pré-redemocratização, sob a liderança de Ulysses Guimarães. Sobretudo, após a morte deste, filiou-se ao PT, partido pelo qual se elegeu deputada federal (1995-1999).   

Homenageada

Do mesmo modo, neste ano, ela foi homenageada pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde trabalhou, no contexto do Dia Internacional da Mulher. “Ela foi muito importante para minha geração, para a luta pela democracia, para a discussão de um projeto nacional de desenvolvimento”, disse o presidente do banco público, Aloizio Mercadante, na ocasião.

Fonte: Agência Brasil.

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