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Sustentabilidade e Meio Ambiente

Pimenta-do-reino: debate aponta desafios do setor no Espírito Santo

Na reunião, foi colocada a dificuldade para que a produção local atenda aos padrões de qualidade dos mercados consumidores mais exigentes e com maior demanda de importação.

Por Redação

5 mins de leitura

em 09 de jul de 2024, às 15h12

Foto: Divulgação | Gov ES

A Comissão de Agricultura recebeu, nesta terça-feira (9) o secretário-executivo da Brazilian Spice Association (BSA), Aureliano Nogueira da Costa, que falou sobre os desafios enfrentados pelo segmento.

Na reunião, foi colocada a dificuldade para que a produção local atenda aos padrões de qualidade dos mercados consumidores mais exigentes e com maior demanda de importação.

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O tema ganha relevância, pois o Espírito Santo contribui com 60% do total de pimenta-do-reino oriunda do país. “Somos os maiores produtores e exportadores”, afirmou o convidado. Segundo comparou, se o ES fosse um país, seria o terceiro maior do mundo em termos de volume. Os dados foram fornecidos pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seag). 

A plantação está presente em 45 municípios capixabas, com destaque para os cinco de maior relevância, em ordem decrescente: São Mateus (35% de participação), Jaguaré (12%), Vila Valério (9,8%), Rio Bananal (8,01%) e Nova Venécia (5,63%). As informações são relativas ao ano de 2022, quando foram registradas mais de 76 mil toneladas no estado.

Apesar de ser o segundo maior produtor e exportador da especiaria, o Brasil vem perdendo espaço nas importações. Aureliano citou o caso dos Estados Unidos, que já foram o maior mercado consumidor da pimenta brasileira, mas hoje estão em 15º lugar. “Temos (…) que buscar qualidade, produtividade, sustentabilidade para atender as exigências do mercado mundial, nacional e estadual”, destacou. 

Desafios 

“A exportação atende às exigências do país importador. Aí que vem o nosso grande desafio. Cada país tem os critérios distintos e a gente precisa cada dia mais estarmos atentos a essa legislação”, detalhou. Os desafios incluem pilares como o manejo e boas práticas de produção; controle de pragas e doenças; rastreabilidade e programas de qualidade. 

“Não pode ter trabalho escravo, não pode usar área de preservação. Tem que ter toda a sustentabilidade envolvida, tem que tratar esgoto, você tem que lavar as mãos para trabalhar com a colheita da pimenta”, exemplificou o secretário-executivo. 

Um dos exemplos apresentados por Aureliano é o fim do uso das estacas de eucalipto e sua substituição pelo tutor vivo, além da utilização de sistema de irrigação adequado, ações consideradas um avanço no âmbito da sustentabilidade e já adotadas entre os pipericultores capixabas. “Se você errou no plantio, já complica todo o processo de produção”.

Outra preocupação é com a higiene, já que se trata de uma mercadoria considerada alimento. “Principalmente para atender as exigências internacionais por qualidade básica, evitando qualquer risco de contaminação por coliformes fecais ou qualquer outro produto”. A falta de rigor no controle sanitário e exigências de certificações têm inviabilizado a exportação para mercados exigentes como Europa e EUA.

Presidente da comissão, deputado Lucas Scaramussa (Podemos), frisou que os Estados Unidos são o comprador mundial, mas não importam a especiaria. “Para você conseguir alcançar esse mercado americano você tem um desafio tremendo”, avaliou. “Isso passa por vencer barreiras, burocracias pessoais nossas, mas para entregar um produto que de fato atenda a todas as diretrizes exigidas”, pontuou.

Mercado externo

De acordo com o secretário-executivo, no Espírito Santo, a especiaria tem grande peso na pauta de exportações, atrás apenas do café e celulose. De janeiro a dezembro de 2023, a pipericultura mandou para fora mais de US$ 167 milhões em mercadoria. Conforme disse, mais de 90% da produção nacional é exportada. 

No mercado global de 2024, a projeção é que o Brasil ocupe o segundo posto nas exportações, com 90 mil toneladas, perdendo apenas para as 180 mil toneladas do Vietnã, mas longe da terceira colocada, a Índia, com 60 mil toneladas. “É um mercado que está crescendo e a gente precisa realmente ter a pimenta de qualidade para atender essas demandas e critérios dos países importadores”, afirmou Aureliano.

Na opinião dele, existe espaço para o crescimento da produção, uma vez que a estimativa de consumo do mercado internacional hoje está em 525 mil toneladas, volume maior do que o que deve ser entregue pelos países exportadores: 493 mil toneladas. “Isso mostra que existe espaço para crescimento de produção”, observou, ao frisar a importância da atividade para a geração de emprego e renda.

Com sede em São Mateus, a BSA é uma associação dos exportadores que defende os interesses da cadeira produtiva da pimenta-do-reino e demais especiarias. Atualmente reúne 29 empresas. A atuação começou em 2015, com o nome de Associação dos Exportadores de Pimenta-do-Reino (Acepe). A nomenclatura atual foi adotada em 2023. 

A reunião teve a participação dos deputados Alcântaro Filho (Republicanos), Adilson Espindula (PSD), Coronel Weliton (PRD) e Julio da Fetaes (PT). Também estiveram presentes o vice-presidente da BSA, Frank Moro; o gerente de Planejamento Rural da Seag, Guilherme Recla; e o analista de Desenvolvimento Cooperativista da OCB-ES, Vinicius Schiavo.

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