Sustentabilidade e Meio Ambiente

Itaúnas: artista transforma jacaré em símbolo de sabedoria ambiental

A pintura foi inaugurada junto com o novo espaço voltado à educação ambiental, e celebra também o lançamento oficial do projeto pioneiro de repovoamento de jacarés no Espírito Santo

Foto: Fernando Berg

O Parque Estadual de Itaúnas, em Conceição da Barra (ES), agora abriga uma obra de arte que une cultura, ciência e conservação ambiental. Assinado pelo artista e ativista paulistano Fernando Berg, o mural é o novo destaque do espaço educativo do Programa Caiman, iniciativa dedicada à proteção do jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) — espécie ameaçada de extinção e símbolo da Mata Atlântica.

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A pintura foi inaugurada junto com o novo espaço voltado à educação ambiental, e celebra também o lançamento oficial do projeto pioneiro de repovoamento de jacarés no Espírito Santo, com ações de incubação, monitoramento, soltura assistida e sensibilização da população local e dos visitantes.

Uma obra que educa e emociona

No mural, o jacaré é retratado com olhar sério e receptivo, representando um ser sábio e observador da natureza. Acima de sua cabeça, uma folha-luz simboliza seu conhecimento ancestral. A composição inclui ainda uma lontra com “coroa” de folha de aninga, o Rio Itaúnas ao pôr do sol, tatu-galinha, pererecas-do-brejo, gato-mourisco, bacurau e outras espécies emblemáticas da restinga e das matas locais.

“Neste mural retrato um cenário da antiga Vila de Itaúnas, onde as dunas retomam seu espaço e encobrem construções. O protagonista é o jacaré, que observa quem entra no espaço: receptivo, amigável, mas com um olhar que convida à reflexão. Sobre ele, uma folha de luz representa o conhecimento da natureza. Todos os elementos da obra se voltam para essa luz central: é ela que guia, que conecta os seres e representa a sabedoria ambiental que queremos transmitir”, explica o artista Fernando Berg.

O mural é também um tributo à diversidade cultural capixaba. Na cena da antiga vila de Itaúnas sendo encoberta pelas dunas, Berg retrata a manifestação do Ticumbi, celebração de resistência da cultura afro capixaba. O sabiá-da-praia, retratado como guia espiritual, carrega no pescoço ramos de aroeira — planta regeneradora e essencial ao reflorestamento. O destaque final é dado a um filhote de jacaré flutuando no centro da cena: um ser divino, guardião das águas e da floresta.

Conservação com base científica e compromisso social

O Programa Caiman foi desenvolvido pelo Instituto Marcos Daniel (IMD) e tem o apoio da ArcelorMittal. O projeto de repovoamento tem o apoio da Secretaria de Meio Ambiente (SEAMA), do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA) e do Ministério Público do Espírito Santo. O projeto, que terá duração de 10 anos, prevê ações de coleta de ovos, criação em sistema de headstarting, reintrodução de indivíduos, translocação de casais e restauração de habitats ao longo de 10 anos.

“O mural sintetiza tudo o que o Programa Caiman representa: a força da ciência aliada ao poder da educação e da arte para transformar realidades. Ele traduz, em imagem, a conexão entre espécies, pessoas e o ecossistema. Mais do que uma obra, é um convite à reflexão e à ação pela conservação da nossa biodiversidade”, afirma Yhuri Nóbrega, coordenador do programa e presidente do IMD.

Para o gerente geral de Sustentabilidade da ArcelorMittal, Bernardo Enne, o projeto reforça o compromisso com o meio ambiente: “A sustentabilidade está no nosso DNA. Esse projeto mostra como a indústria pode colaborar diretamente com a conservação da biodiversidade, contribuindo também com os princípios de ESG e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”.

O mural pode ser visitado no espaço educativo do Programa Caiman, dentro do Parque Estadual de Itaúnas.

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