Sul capixaba debate impacto de grandes obras na economia
O Porto Central foi outro assunto discutido no encontro do colegiado, que é presidido pelo deputado Dr. Bruno Resende (União).

A Frente Parlamentar pelo Desenvolvimento Econômico Sul Capixaba foi até o município de Anchieta nesta terça-feira (1º) para debater com o poder público local e sociedade os impactos da construção da Ferrovia EF-118. O Porto Central foi outro assunto discutido no encontro do colegiado, que é presidido pelo deputado Dr. Bruno Resende (União).
A reunião contou com a presença do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), que falou sobre a EF-118, de vereadores da região e dos prefeitos de Anchieta e Marataízes, Léo Português (PSB) e Toninho Bitencourt (Podemos), respectivamente. Também compôs a mesa o engenheiro do empreendimento Porto Central, Fábio Cretton, que apresentou as metas do megaporto.
Na abertura, Dr. Bruno Resende falou sobre a importância de os “dois painéis” serem discutidos com a população, ressaltando o planejamento como estratégia essencial para se alcançar o desenvolvimento. Léo Português destacou o papel do sul capixaba para a logística capixaba, defendendo maior inserção da região. Já Bitencourt pontuou que o norte tem vantagens em relação ao sul, em razão da Sudene, mas disse acreditar no potencial de sua região.
Porto de águas profundas
Fábio Cretton apresentou o projeto do Porto Central, que recebe tal nome exatamente por estar no ponto central de toda a costa leste brasileira. Mais do que um grande porto de águas profundas, com calado de 25 metros, o projeto pode abarcar no futuro uma estrutura de energia – considerando o potencial eólico e solar de Presidente Kennedy, município capixaba onde está localizada a obra. Segundo Creton, “englobando essas duas energias”, vai gerar “potencial para produção de hidrogênio verde e amônia verde, o ‘diesel’ dos navios do futuro”.
O empreendimento já conta com licença ambiental prévia para instalação da fase 1, na que deve gerar 1.295 vagas de emprego. A empresa trabalha com a meta de contratar 70% de mão de obra local e priorizar prestadores de serviço da região.
Ferrovia
Ao falar sobre a Ferrovia EF-118, o vice-governador Ricardo Ferraço defendeu que o sul capixaba vive um momento diferenciado: o anúncio de leilão da ferrovia pelo governo federal; o novo contrato de concessão da BR-101; a retomada de produção da Samarco; e a potencialidade portuária. “Saem indefinições e chegam investimentos”. afirmou.
Depois de traçar um histórico sobre o andamento e negociações da EF-118, cujo trecho inicialmente foi repassado à responsabilidade da Vale, o vice-governador explicou que a decisão federal estabelece a concessão de toda a extensão (Santa Leopoldina a Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro) da ferrovia. Com o leilão prometido para segundo semestre de 2025, a Vale entrará com um aporte de R$ 3 bilhões, reduzindo a necessidade de investimento inicial dos interessados.
Produção
Ricardo Ferraço disse que uma avançada estrutura ferroviária no Espírito Santo poderá ser mais uma opção para escoar a produção do centro-oeste brasileiro, que hoje já tem canal de distribuição de seus produtos e grãos pelo Porto de Santos (SP). “Passaria a contar com o arco descendo pelos portos do Espírito Santo e alcançando também a infraestrutura portuária do Rio de Janeiro”, explicou.
O vice-governador ainda pontuou que a Samarco deveria reconsiderar o perfil do porto que tem. “O porto é dedicado para minério, nós precisamos que a Samarco utilizasse esse porto para além de minério, para cargas, isso já acontece em Aracruz”, exemplificou.
“Nós passamos a ter aqui, na Região Sul, uma ferrovia conectando com essas duas importantes infraestruturas portuárias. Isso vai dar um salto e um horizonte muito importante”, afirmou.
Questionamentos
Ao final da apresentação, foi aberto espaço para manifestação dos presentes. Moradores demonstraram otimismo com os impactos da ferrovia e do porto privado. Questionado sobre a possibilidade da nova linha férrea ser utilizada para transporte de passageiros, o vice-governador capixaba disse que há previsão para isso.
Outra questão levantada foi a preocupação de que o Poder Público local saiba incentivar a capacitação da mão de obra para as oportunidades visualizadas nos empreendimentos prometidos.
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