Lei Orelha: Contarato propõe mudança no ECA para punir violência contra animais
A iniciativa busca corrigir uma lacuna da legislação atual, que restringe a possibilidade de internação apenas a atos infracionais cometidos com grave ameaça ou violência contra pessoas.

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) apresentou nesta sexta-feira (6) o Projeto de Lei 372/2026, que propõe alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O objetivo é permitir a aplicação de medidas socioeducativas mais severas para adolescentes em casos de violência contra animais.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiA iniciativa busca corrigir uma lacuna da legislação atual. O texto restringe a possibilidade de internação apenas a atos infracionais com grave ameaça ou violência contra pessoas.
Leia também: Fabiano Contarato diz que segurança pública não é tema ‘exclusivo da direita’
Pelo texto em vigor, o artigo 122 do ECA não prevê a internação quando a violência é em relação a animais. Segundo Contarato, isso impede uma resposta proporcional do sistema socioeducativo diante de condutas graves. Com a mudança proposta, atos violentos contra animais passam a ser vistos como passíveis de punição mais rigorosa. Entre as medidas também está a internação, desde que leve em consideração os critérios legais.
Caso Orelha
Na justificativa do projeto, o senador cita o caso do cão comunitário conhecido como Orelha, morto após suposto espancamento cometido por adolescentes em Florianópolis, no início de janeiro. O episódio provocou protestos em diferentes regiões do país e reacendeu o debate sobre a responsabilização de jovens envolvidos em crimes de maus-tratos a animais.
“A iniciativa fundamenta-se na gravidade dessa conduta, que revela elevado grau de agressividade e insensibilidade, além de indicar potencial risco à convivência social. A violência contra animais constitui comportamento de extrema reprovabilidade, demandando resposta adequada do sistema socioeducativo”, afirmou Contarato.
O parlamentar sustenta que a proposta, apelidada de “Lei Orelha”, reconhece a violência contra animais como um indicativo relevante de risco social. Segundo ele, estudos apontam correlação entre a crueldade animal e futuras manifestações de violência contra pessoas, o que reforça o caráter preventivo da medida.
Medidas socioeducativas
“A proposta reconhece a violência contra animais como elemento suficientemente grave para justificar a aplicação da medida de internação, em consonância com estudos que apontam correlação entre crueldade animal e futuras manifestações de violência interpessoal, reforçando o caráter preventivo e pedagógico da norma”, declarou.
Ainda de acordo com o senador, a alteração no ECA busca conferir maior efetividade às medidas socioeducativas previstas na legislação, assegurando uma resposta proporcional à gravidade do ato infracional e contribuindo para a proteção da sociedade.
Além do Projeto de Lei 372/2026, Contarato também é autor do PL 1.473/2025, que trata do aumento do tempo máximo de internação para adolescentes em conflito com a lei. O Senado aprovou a proposta em outubro do ano passado e atualmente tramita na Câmara dos Deputados.
Entretanto, o ECA estabelece o limite máximo de três anos para medidas socioeducativas de internação. Assim, pelo novo texto, esse prazo pode chegar a cinco anos e ampliar para até dez anos em casos de atos considerados gravíssimos, como aqueles equiparados a crimes hediondos. Segundo o senador, a medida busca garantir maior proporcionalidade entre a gravidade do ato e a resposta do Estado.
Você no aquinoticias.com
Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726