Artistas indígenas do ES levam obras para mostra em São Paulo
O convite para participar da mostra surgiu por meio da organizadora da Etnomídia, Naine Terena.

Até o próximo dia 20, a Galeria Carmo Johnson, em São Paulo (SP), recebe a 3ª Mostra Etnomídia Indígena. Sob o tema “Festival de Impressos Indígenas”, o evento adota o formato de feira-festival, consolidando-se como um importante espaço para a expansão da criatividade, da memória e da resiliência de diversos territórios brasileiros.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiEntre os participantes, destacam-se três artistas indígenas que vivem no Espírito Santo: Ara Guarani, Sônia Guarani e Claudiomiro Guarani. Integrantes do Coletivo Rembyapó, eles apresentam um conjunto de pinturas e objetos instalativos que fazem referência à cultura e ao modo de vida de seu povo.
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O convite para participar da mostra surgiu por meio da organizadora da Etnomídia, Naine Terena. Em outubro de 2025, ela esteve na Residência Artística Mbómonhanga, realizada em território indígena de Aracruz pelo Núcleo de Projetos da Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG), com recursos do Fundo Estadual de Cultura (Funcultura), da Secretaria da Cultura (Secult) e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), Governo Federal.
A vivência em Aracruz teve como objetivo ampliar as possibilidades de visibilidade para a produção desses povos. Como uma das primeiras iniciativas decorrentes desse encontro, o grupo Guarani apresenta parte de sua produção na exposição em São Paulo, levando a obra de artistas indígenas do território capixaba ao conhecimento de curadores e instituições de outras regiões do país.
Além da participação na Mostra Etnomídia, o diálogo com a curadora Naine Terena resultou na inscrição do grupo no Programa Territórios Criativos, da Lei Rouanet, que atualmente está em fase de captação de recursos. A experiência da residência artística também foi selecionada pelo Ministério da Cultura como uma das iniciativas de referência mapeadas pela pasta.
Debate
A 3ª Mostra Etnomídia, que estreou em São Paulo, funciona como uma feira-exposição de artes e se consolida como uma plataforma para que a produção intelectual e artística de diversos povos ocupe o centro do debate cultural. Por isso, a ideia de impressos e impressões orienta esta edição, que reúne a materialidade da cultura indígena em múltiplas linguagens, como literatura, moda, publicações impressas e artes visuais.
Aprovada na Seleção Petrobras Cultural, com recursos da Lei Rouanet e do Ministério da Cultura, a mostra é realizada pela Oráculo Comunicação, Educação e Cultura. Após a temporada na capital paulista, o evento seguirá para Salvador (BA) e Brasília (DF).
Naine Terena destaca que esta terceira edição “brinca” com a ideia das exposições de arte em diálogo com as feiras independentes de impressos, buscando revelar a dimensão das produções indígenas, especialmente as coletivas e aquelas desenvolvidas por pessoas que vivem nas aldeias. Para ela, trata-se também de um campo de expansão da atuação indígena, já que a Mostra reúne profissionais de diversos povos.
A curadora ressalta ainda a consolidação do projeto ao lembrar que esta é a terceira etapa de um percurso de investigação sobre a mídia indígena e seus desdobramentos. Enquanto as duas edições anteriores abordaram o audiovisual e as “entidades virtualizadas” no século XXI, a edição atual volta-se para a tangibilidade da impressão e da escrita.
Já o curador Gustavo Caboco define as impressões indígenas como “territórios férteis”. Segundo ele, ao levar essas obras para escolas, universidades e galerias, os artistas transportam a memória de seus territórios originários em suas falas e ações, transformando cada peça exposta em um documento vivo da existência e da resistência indígena.
Um dos grandes destaques desta edição é a expografia. Naine Terena explica que havia o desejo de aproximar o espaço expositivo da organização espacial e social de algumas aldeias indígenas, permitindo ao público compreender melhor como essas representações se manifestam no cotidiano desses povos.
Com esse objetivo, os estudos desenvolvidos por Libério Uiagumeareu, do povo Boe Bororo, em parceria com Naine Terena e Gustavo Caboco, analisaram a planta da Galeria Carmo Johnson em relação à organização de uma aldeia Boe Bororo. O resultado foi uma ocupação do espaço que vai além da estética, reproduzindo aspectos da complexa organização social e geográfica desse povo.
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