Economia

Inadimplência cai e 39 mil capixabas saem do vermelho

A regularização de dívidas por cerca de 39 mil capixabas em abril amplia o crédito e reduz o peso dos juros no orçamento familiar.

Inadimplência no Espírito Santo
Foto: Freepik

Boa notícia para a economia capixaba: cerca de 39 mil capixabas conseguiram regularizar suas dívidas em atraso em abril, o que levou à quinta queda consecutiva da inadimplência no Espírito Santo. O movimento amplia o fôlego financeiro das famílias, reduz o peso dos juros no orçamento e cria condições mais favoráveis para o consumo e para a retomada do crédito.

As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo), com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

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A taxa de inadimplência no estado recuou para 32,6%, uma queda de 0,9 ponto percentual em relação a março. O valor médio por dívida foi de R$ 1.542,50. Segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, a redução produz efeitos positivos que vão além das finanças familiares.

“A queda da inadimplência melhora a capacidade financeira das famílias, reduz despesas com juros e libera recursos para outras despesas e para o consumo. Além disso, consumidores com a situação regularizada tendem a recuperar o acesso ao crédito, o que fortalece a atividade econômica e beneficia diretamente os setores de comércio e serviços”, explicou.

A redução foi puxada principalmente pelas famílias com renda de até 10 salários mínimos (R$ 16.210). Nesse grupo, a inadimplência caiu de 38% para 36,8% entre março e abril. Já entre as famílias com renda superior a 10 salários, os índices permaneceram em patamares mais baixos, 8%.

A percepção das famílias sobre a capacidade de quitar suas dívidas também melhorou. Entre os consumidores com renda de até 10 salários mínimos, 16,6% acreditam conseguir pagar integralmente suas contas em atraso, percentual superior ao registrado em março. Entre as famílias de maior renda, o índice chegou a 50%, o que demonstra avanço expressivo na confiança financeira.

“O aumento da expectativa de quitação é um sinal importante. Ele indica que parte dos consumidores percebe uma melhora na própria situação financeira e vê condições mais favoráveis para reorganizar o orçamento”, destacou Spalenza.

Endividamento

A pesquisa mostrou ainda que o nível geral de endividamento das famílias capixabas – quando o consumidor possui contas parceladas ou compromissos financeiros a vencer, pagos em dia ou não – teve uma leve melhora em abril, alcançando 87,5%, contra 87,8% em março. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o endividamento atingiu 88,8%. Já entre aquelas com renda superior, o índice foi de 78,5%.

O cartão de crédito continua liderando com ampla vantagem entre as modalidades de dívida. Ele está presente em 92,9% das famílias de menor renda e em 97,5% das famílias com renda superior.

Outras modalidades relevantes incluem crédito pessoal, crédito consignado, financiamento de veículos e carnês. Nas famílias de renda mais alta, o financiamento imobiliário tem participação mais significativa, alcançando 15,9% dos entrevistados.

Os dados também mostram importantes na capacidade de pagamento entre as faixas de renda. Entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos, 25,8% comprometem mais da metade da renda mensal com dívidas. Já entre as famílias de renda superior, esse percentual cai para 8,3%.

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