Leilão da COLAGUA acontece sob questionamentos judiciais e mobiliza entidades em defesa de um patrimônio histórico de Guaçuí
A primeira chamada, marcada para esta quinta-feira (25), deu deserta, ou seja, não houve interessados.

O leilão do parque fabril da Cooperativa de Laticínios de Guaçuí (COLAGUA) acontece em meio a um cenário de controvérsias jurídicas e forte mobilização de entidades representativas do setor rural e do cooperativismo.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiA primeira chamada, marcada para esta quinta-feira (25), deu deserta, ou seja, não houve interessados. Dessa forma, um segundo leilão será realizado nesta sexta-feira (26), com valor mínimo reduzido para R$ 2,4 milhões.
A preocupação é que a venda judicial de parte do patrimônio ocorra enquanto ainda tramitam ações que discutem a validade de atos relacionados ao processo de execução. Entre elas está uma ação anulatória, que questiona aspectos da execução e pede ao Poder Judiciário a análise da legalidade de atos praticados ao longo do processo.
Segundo a defesa da cooperativa, caso haja decisão favorável, os efeitos do procedimento executivo poderão ser revistos pela Justiça.
Outro ponto que chama a atenção é que o leilão não abrange todo o patrimônio da COLAGUA. O imóvel ofertado corresponde à área construída de aproximadamente 2.300 metros quadrados dada em garantia fiduciária em uma operação de crédito. Permanecem fora do leilão outras áreas pertencentes à cooperativa, incluindo áreas comuns e não edificadas, formando um cenário patrimonial que ainda poderá demandar definições judiciais.
Também há registros de que equipamentos industriais do parque fabril são objeto de constrições em processos trabalhistas, circunstância que integra o conjunto de discussões envolvendo o patrimônio da cooperativa.
Para o advogado Dr. Peterson, o contexto exige atenção de todos os envolvidos.
“Há processos judiciais em andamento que discutem aspectos relevantes da execução. A ação anulatória ainda será apreciada pelo Poder Judiciário e seu resultado poderá produzir efeitos sobre o processo. É uma situação que recomenda cautela e análise jurídica cuidadosa por parte de qualquer interessado.”
Mobilização em defesa da cooperativa
Além das discussões judiciais, a situação da COLAGUA provocou a manifestação de diversas entidades representativas.
Em nota oficial, a Unicafes Espírito Santo declarou apoio à preservação da cooperativa e defendeu a construção de uma solução que permita sua recuperação. A entidade destacou a importância da COLAGUA para a agricultura familiar, para o cooperativismo e para a economia regional, lembrando que a indústria foi responsável, durante décadas, pela geração de empregos, renda e valorização da produção leiteira.
O presidente do Sindicato Rural Patronal de Guaçuí, Luciano Ferraz, também manifestou apoio à cooperativa, ressaltando a necessidade de preservar um patrimônio construído por gerações de produtores rurais.
O mesmo posicionamento foi adotado pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Guaçuí, Gilson Vimercate, que destacou o papel histórico da COLAGUA no fortalecimento da agricultura familiar e na geração de oportunidades para centenas de famílias do município.
Para as entidades, a prioridade deve ser a busca de alternativas que possibilitem a retomada das atividades da cooperativa, preservando um patrimônio considerado estratégico para o desenvolvimento de Guaçuí e de toda a região do Caparaó.
Fundada há décadas, a COLAGUA tornou-se um dos maiores símbolos do cooperativismo no sul do Espírito Santo. Para produtores, trabalhadores e lideranças do setor, o desafio agora é conciliar a solução das questões judiciais com a preservação de uma instituição que faz parte da história econômica e social do município.
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