Cidades

Leilão da Colagua fracassa e economista destaca papel decisivo da imprensa

Para o economista e morador de Guaçuí, Rodrigo Simões, a ampla divulgação do tema contribuiu para sensibilizar os envolvidos no processo e evidenciar a importância da cooperativa para o desenvolvimento local.

O leilão da Cooperativa de Laticínios de Guaçuí (Colagua) terminou sem interessados. A primeira tentativa de venda ocorreu na quinta-feira (25), com lance inicial de R$ 4,8 milhões. Como não houve interessados, um segundo leilão foi realizado nesta sexta-feira (26), com valor mínimo reduzido para R$ 2,4 milhões. Novamente, o processo terminou sem lances.

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A ausência de arrematantes nas duas etapas do processo foi interpretada por diversos setores da sociedade como um sinal de que, após as matérias divulgadas pelo aquinoticias.com, os principais atores envolvidos no processo entenderam a relevância histórica e econômica da cooperativa para a região do Caparaó.

Para o economista e morador de Guaçuí, Rodrigo Simões, a ampla divulgação do tema pelo veículo de comunicação contribuiu para sensibilizar a população e evidenciar a importância da cooperativa para o desenvolvimento local.

“Graças ao trabalho tão importante da mídia, a gente conseguiu sensibilizar as pessoas sobre a importância da Colagua para a história, para o passado e para o futuro de Guaçuí. O leilão deu deserto ontem e deu deserto hoje. Qualquer possível arrematante entendeu que aquilo era muito mais do que uma negociação, que se trata de um ativo estratégico para o desenvolvimento do município. Parabéns pelo belíssimo trabalho das matérias do Aqui Notícias”, destaca o economista.

A falta de interessados reforçou o posicionamento de moradores e lideranças que defendem a busca por alternativas capazes de preservar o parque industrial da cooperativa. Para eles, a Colagua representa um patrimônio histórico, econômico e social construído ao longo de décadas e que não deve ser tratado apenas como um ativo financeiro.

O vereador Nelsinho Salvador fez um apelo para que instituições públicas e entidades ligadas ao cooperativismo se unissem na construção de uma solução que permitisse a retomada das atividades da cooperativa.

Vereador Nelsinho Salvador

“Estamos falando de uma indústria que já gerou mais de 40 empregos diretos, fortaleceu a cadeia produtiva do leite, agregou valor à agricultura familiar e movimentou a economia do município. Perder o parque fabril da Colagua seria perder uma parte importante da história de Guaçuí”, ressaltou o vereador.

A mobilização também contou com o apoio de entidades do setor. Em nota oficial, a Unicafes Espírito Santo defendeu a preservação da cooperativa e a construção de alternativas para sua recuperação, ressaltando a importância da Colagua para a agricultura familiar, o cooperativismo e a economia regional.

O presidente do Sindicato Rural Patronal de Guaçuí, Luciano Ferraz, também se manifestou favoravelmente à manutenção da cooperativa, destacando a necessidade de preservar um patrimônio construído por gerações de produtores rurais.

O mesmo posicionamento foi adotado pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Guaçuí, Gilson Vimercate, que ressaltou o papel histórico da indústria no fortalecimento da agricultura familiar e na geração de oportunidades para centenas de famílias.

A Colagua foi fundada oficialmente em 25 de fevereiro de 1958. Com 68 anos de história, a cooperativa surgiu da união de 22 agricultores locais que buscavam valorizar e estabilizar o mercado de pecuária leiteira na região do Caparaó.

Diante do resultado dos leilões, entidades, produtores e lideranças locais defendem que o momento seja aproveitado para ampliar o diálogo entre poder público, cooperativas e instituições do setor, na tentativa de encontrar uma solução que permita conciliar as questões judiciais com a preservação de um patrimônio considerado fundamental para o desenvolvimento econômico e social de Guaçuí e de toda a região do Caparaó.

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