Produção industrial do Espírito Santo lidera Brasil
O resultado é o maior do país, superando a média nacional (2,7%) na mesma base de comparação.

O mês de abril foi positivo para a produção industrial capixaba e marcou o décimo segundo mês consecutivo que o Espírito Santo cresce acima de dois dígitos. A produção do Estado teve alta de 32,9% em relação a abril de 2025, impulsionada pela indústria extrativa. O resultado é o maior do país, superando a média nacional (2,7%) na mesma base de comparação.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiA indústria do Espírito Santo manteve o ritmo forte de crescimento em 2026 e continua a se destacar no cenário nacional. O resultado de abril também está entre os dez maiores crescimentos da série histórica da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) iniciada em 2003.
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Os dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e compilados pelo OBSERVATÓRIO FINDES, ainda mostram que, em abril, a produção industrial do Estado cresceu em todas as bases de comparação.
Na passagem de março para abril, já considerando os efeitos sazonais, teve alta de 2,1%. No acumulado de janeiro a abril de 2026 frente ao mesmo período do ano passado o crescimento foi de 25,3%, também o melhor desempenho do país. E, no acumulado dos últimos 12 meses, a alta foi de 21,9%, novamente a maior entre os locais pesquisados.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), Paulo Baraona, os números confirmam a força da indústria capixaba e o papel estratégico do setor para o desenvolvimento do Estado.
“O Espírito Santo vem mantendo uma trajetória consistente de crescimento industrial. Completar 12 meses seguidos de alta em dois dígitos é um resultado muito expressivo, que mostra a força da nossa indústria e a relevância do Estado no cenário nacional. Esse desempenho gera impacto na economia, movimenta cadeias produtivas, fortalece fornecedores e cria oportunidades para os capixabas”, destaca.
Baraona ressalta ainda que o bom desempenho precisa ser acompanhado de ações permanentes para ampliar a competitividade.
“Temos uma indústria forte, que vem se diversificando e que conta com grande capacidade de gerar desenvolvimento. Entretanto, para sustentar esse ciclo de crescimento, precisamos seguir avançando em infraestrutura, segurança jurídica, qualificação profissional, inovação e melhoria do ambiente de negócios. Crescer é importante, mas manter esse crescimento de forma sustentável exige planejamento e investimento para aumentar a competitividade da indústria”, afirma.
A gerente executiva do OBSERVATÓRIO FINDES e economista-chefe da FINDES, Marília Silva, explica que o resultado industrial do Espírito Santo está fortemente associado à recuperação e expansão da atividade extrativa.
“A indústria capixaba tem sido impulsionada pelo avanço da produção de petróleo, gás natural e de minério de ferro pelotizado. Esses segmentos têm peso relevante na estrutura produtiva do Estado e ajudam a explicar por que o Espírito Santo vem apresentando um desempenho tão acima da média nacional”, analisa.
Marília explica que o resultado também deve ser observado dentro de um cenário econômico mais desafiador, marcado por juros elevados, inflação mais pressionada e incertezas internacionais.
“O desempenho da indústria capixaba é positivo e mostra resiliência, mas o ambiente econômico ainda exige atenção e cautela. As tensões geopolíticas e a volatilidade nos preços do petróleo pressionam os custos. De acordo com o IBGE, os preços dos produtos industriais acumularam alta de 5,12% entre janeiro e abril, refletindo, em parte, os efeitos do cenário internacional sobre as cadeias produtivas. Essa pressão adicional sobre os preços ao produtor já vem sendo repassada ao consumido”, comenta.
Indústria extrativa puxa crescimento no ES
O principal motor do desempenho industrial capixaba em abril foi a indústria extrativa, que cresceu 49,9% na comparação com abril de 2025. Segundo o IBGE, o resultado foi influenciado pelo aumento da produção de minério de ferro pelotizado, petróleo e gás natural.
A produção de petróleo no Espírito Santo alcançou 293,6 mil barris por dia em abril, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O volume representa alta de 9,5% em relação a março e crescimento de 76,5% frente ao mesmo mês do ano passado. Esse resultado foi o maior desde março de 2019, quando a produção de petróleo no estado atingiu 288,7 mil bbl/d.
A produção de gás natural também avançou. Em abril, o Estado produziu 8,1 milhões de metros cúbicos por dia, resultado 7,7% superior ao de março e 106,1% maior que o registrado em abril de 2025. Esse foi o maior volume desde janeiro de 2019.
“O desempenho foi favorecido pelo avanço da produção no campo de Wahoo, operado pela PRIO, e pela operação da FPSO Maria Quitéria operado pela Petrobras, ambos localizados no litoral sul do Estado. Em abril, Wahoo produziu 30,7 mil barris por dia, após o início da produção em março e a entrada gradual de novos poços em operação. Já a FPSO Maria Quitéria produziu 76,2 mil barris de petróleo por dia e 2,9 milhões de metros cúbicos diários de gás natural”, aponta o gerente de Ambiente de Negócios do OBSERVATÓRIO FINDES, Nathan Diirr.
Indústria de transformação também cresce em abril
A indústria de transformação capixaba também teve alta na sua produção em abril. O setor cresceu 0,4% na comparação com o mesmo mês de 2025, interrompendo dois resultados negativos consecutivos nessa base de comparação.
Entre as quatro atividades pesquisadas pelo IBGE no Espírito Santo, duas avançaram. A metalurgia cresceu 3,0%, influenciada pelo aumento da produção de ferro-gusa e de lingotes, blocos, tarugos ou placas de aço ao carbono.
Já a fabricação de produtos de minerais não-metálicos avançou 2,5%, com destaque para a maior produção de pedras de construção trabalhadas, granito talhado ou serrado, ladrilhos e outros produtos de cerâmica.
Por outro lado, a fabricação de produtos alimentícios recuou 6,9% em abril, pressionada pela menor produção de carnes bovinas frescas, refrigeradas e congeladas, além de água de coco. E a fabricação de celulose, papel e produtos de papel caiu 1,7%, influenciada pela redução na produção de pastas químicas de madeira, ou seja, celulose.
Na passagem de março para abril, porém, todas as atividades da indústria de transformação pesquisadas no Estado tiveram desempenho positivo. A fabricação de celulose, papel e produtos de papel cresceu 4,1%; a metalurgia avançou 3,5%; a fabricação de produtos alimentícios subiu 1,1%; e a fabricação de produtos de minerais não-metálicos teve alta de 0,1%.
Espírito Santo lidera rankings nacionais
O desempenho de abril consolidou o Espírito Santo como destaque nacional da produção industrial. Na comparação com abril de 2025, o Estado liderou o ranking do IBGE, com alta de 32,9%, à frente de Rio de Janeiro (+10,1%), Goiás (+6,2%), Rio Grande do Sul (+5,3%) e Minas Gerais (+3,7%).
No acumulado de janeiro a abril, o Espírito Santo também teve o melhor resultado do país, com crescimento de 25,3%. Na sequência aparecem Pernambuco (+19,7%), Mato Grosso do Sul (+8,0%), Rio de Janeiro (+7,3%) e Mato Grosso (+4,2%).
E, no acumulado dos últimos 12 meses, a indústria capixaba cresceu 21,9%, enquanto a indústria brasileira avançou 0,7%. No mesmo período, a indústria extrativa do Espírito Santo acumulou alta de 34,7%, enquanto a transformação recuou 1,3%.
O analista responsável por essa pesquisa, Bernardo Almeida, explica que a atividade extrativa foi destaque, tanto no Espírito Santo quanto no Rio de Janeiro, porque “vêm exercendo um papel relevante na indústria tanto nacional quanto regional. Se por um lado os efeitos contracionistas da política monetária pressionam a indústria de transformação e sua cadeia produtiva, por outro, a indústria extrativa, com suas especificidades, vem mostrando um ritmo de produção, por vezes, capaz de mitigar esses efeitos negativos sobre a produção industrial.”
No Brasil, a produção industrial cresceu 0,7% na passagem de março para abril, na série com ajuste sazonal. O resultado foi influenciado pela alta de 3,1% da indústria extrativa e pelo crescimento de 0,3% da indústria de transformação.
Na comparação com abril de 2025, a indústria nacional avançou 2,7%, puxada pelo crescimento de 10,6% da indústria extrativa e de 1,2% da transformação. Já no acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a alta foi de 1,7%.
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