“Você Já Escutou a Terra?”: Cachoeiro recebe exposição sobre emergência climática
A exposição do Museu da Pessoa chega ao Espírito Santo após temporada em Belém, onde estreou durante a COP30

O Sesc Espírito Santo inicia sua primeira grande itinerância cultural com a chegada da exposição “Você Já Escutou a Terra?”, do Museu da Pessoa, a Cachoeiro de Itapemirim, no dia 16 de junho, às 19h, e aberto ao público. Para participar do evento de abertura, é necessário retirar ingresso gratuitamente pelo site lets.events/organizer/sescgloria. A exposição tem curadoria do líder indígena, Ailton Krenak, e da fundadora do Museu da Pessoa, Karen Worcman, e propõe uma reflexão profunda sobre a emergência climática a partir dos saberes tradicionais e dos modos de vida comunitários.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiAlinhado ao objetivo de descentralizar o acesso à cultura e levar experiências artísticas de excelência ao interior, o Sesc Cachoeiro de Itapemirim recebe a exposição que é gratuita. A visitação será entre 17 de junho e 25 de julho, de terça a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 9h às 15h. A classificação é livre e os ingressos podem ser retirados no site lets.events/organizer/sescgloria. Para o agendamento de grupos e escolas, as inscrições devem ser feitas em eagenda.com.br/sescculturaes.
Para o diretor de Programas Sociais do Sesc-ES, Romulo Gomes, a itinerância é uma ação alinhada com toda a instituição. “A itinerância da exposição para Cachoeiro de Itapemirim representa um passo importante para o Sesc Espírito Santo, de levar artes visuais, cinema, teatro, música e literatura a diferentes territórios capixabas. Essa iniciativa faz parte de um projeto mais amplo, desenvolvido há quase dois anos, que busca ampliar o alcance das ações culturais da instituição. Nosso propósito é garantir que mais pessoas tenham acesso a experiências culturais de qualidade, fortalecendo a formação de público e a valorização da cultura em todo o Estado”, explica Romulo.
A exposição do Museu da Pessoa chega ao Espírito Santo após temporada em Belém, onde estreou durante a COP30 e recebeu mais de 14 mil visitantes. A versão digital da mostra, disponível gratuitamente online, já soma mais de 310 mil acessos e está disponível em http://escuteaterra.museudapessoa.org.
A exposição integra a programação “Vidas, Vozes e Saberes em um Mundo em Chamas”, do Museu, projeto que propõe uma reflexão sobre as relações entre memória, humanidade e o planeta em tempos de desafios ambientais.
Segundo a curadora da exposição e fundadora do Museu da Pessoa, Karen Worcman, a mostra foi desenhada para provocar uma mudança de perspectiva. “Construída a partir do conceito de biocentrismo, ela propõe uma reflexão sobre a necessidade de deslocar o ser humano do centro das atenções e reconhecer a conexão entre todas as formas de vida, os territórios e as memórias que compartilhamos”, pontua.
Experiência em Praia Formosa
Antes de chegar ao sul do estado, a exposição passou pelo Sesc Praia Formosa, em Aracruz (ES), onde ficou em cartaz entre 16 de abril e 24 de maio. A mostra integrou a programação oficial da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, evento nacional realizado pelo Ministério da Cultura.
“De onde nós viemos e para onde nós estamos indo, o que nós estamos fazendo com essa experiência? A Terra tem resposta para todos nós, nos lugares de onde nós nos originamos. Acredito que, se a gente conseguisse abrir o pensamento para esse movimento biocêntrico, a gente ia entender também por que os povos nativos, os povos originários, são tão agarrados aos seus lugares de origem”, afirma Ailton Krenak, curador da mostra.
Durante a temporada em Aracruz, a exposição impactou a comunidade escolar da região. O professor Lucas Melo, coordenador de estratégia pela equidade racial (PCR) da Escola Primo Bitti, levou suas turmas para uma imersão na mostra e compartilhou a importância da atividade fora da sala de aula:
“A gente sabe que a educação é esse caminho, que conecta o conhecimento para a transformação do mundo. Poder fazer parte desse momento e visualizar toda essa exposição nos ensina, de alguma forma, a como melhorar o nosso planeta e nos conectar com ele. Espero que os estudantes levem esse conhecimento para a vida e consigam ter pequenas ações que modifiquem sua realidade“, comentou o professor.
O impacto prático da visita ficou evidente no relato de Yuri Mota, aluno do 3º ano do Ensino Médio, que saiu da exposição com uma nova percepção sobre o consumo e o descarte de resíduos:
“Estar aqui hoje traz um conhecimento incrível e nos dá mais conscientização sobre a quantidade de materiais que vão parar no mar e nas ruas. Se a gente diminuir o desperdício, teremos uma vida melhor. Como falaram na exposição, a natureza é tudo o que a gente tem, nós dependemos dela para tudo”, refletiu o estudante.
Conheça um pouco mais sobre a exposição
A exposição é composta por quatro módulos que convidam à escuta e à sensibilização. Na Cabine Manto, os visitantes respondem à pergunta “Você Já Escutou a Terra?”, transformando experiências individuais em reflexão coletiva. Em O Manto, uma grande instalação produzida com resíduos e tecidos de diferentes regiões do Brasil simboliza interdependência, reaproveitamento e conexão entre pessoas e territórios.
Já em Rios de Memória, narrativas registradas nos seis biomas brasileiros apresentam histórias de resistência, pertencimento e modos de vida ligados à preservação ambiental. O percurso se completa com Fala Museu, espaço que revela o processo de escuta e registro dessas histórias, destacando a memória e a cultura como ferramentas de mobilização social.
Com instalações interativas, registros audiovisuais e histórias coletadas em diferentes regiões do país, a mostra valoriza saberes populares, memórias coletivas e experiências de resistência, reforçando a cultura como ferramenta de conscientização e mobilização social diante da emergência climática.
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