Além do conservadorismo: estudo aponta que prefeitos podem precisar rever discurso político no ES
Pesquisa mostra que 69% dos eleitores do ES não são nem bolsonaristas nem lulistas, desafiando a percepção de um Estado polarizado.

Existe no imaginário popular a percepção de que o Espírito Santo é, essencialmente, um estado conservador. Essa leitura ganhou força em razão dos resultados eleitorais, da significativa votação de candidatos da direita e da presença considerável de lideranças conservadoras no cenário capixaba.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiA partir dessa narrativa, muitos agentes políticos, sobretudo prefeitos, passaram a agir como se a identificação pública com o conservadorismo fosse um caminho quase obrigatório para conquistar votos no Estado. Entretanto, pesquisa Quaest, divulgada pelo site A Gazeta na último quinta-feira (16), revela uma realidade bem mais complexa e menos polarizada do que o senso comum admite.
O que chama atenção no estudo é que 69% dos eleitores do Espírito Santo afirmam não ser nem bolsonaristas nem lulistas. Trata-se de uma maioria absoluta formada por independentes (31%), eleitores de direita que não se identificam com Jair Bolsonaro (23%) e eleitores de esquerda que também rejeitam o rótulo de lulistas (15%).
Esse percentual desmonta uma simplificação recorrente no debate político: a ideia de que o eleitor capixaba pode ser reduzido à polarização nacional entre Lula e Bolsonaro. A pesquisa mostra exatamente o contrário. A maior parcela da população não deseja ser enquadrada em nenhum dos dois campos políticos que dominam o debate brasileiro.
É importante observar outro aspecto frequentemente ignorado. Quando a pesquisa aponta que 35% dos entrevistados se posicionam no campo da direita, apenas 12% afirmam ser efetivamente bolsonaristas. Em outras palavras, a maior parte da direita capixaba não vincula sua identidade política ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Da mesma forma, embora 26% se identifiquem com a esquerda, somente 11% se declaram lulistas. Isso demonstra que tanto à direita quanto à esquerda existe um eleitorado que prefere construir sua identidade política de forma autônoma, sem seguir lideranças nacionais.
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