Economia

Nova tarifa dos EUA pode atingir produtos do Espírito Santo; veja quais

O Espírito Santo está entre os estados brasileiros mais expostos ao novo ciclo tarifário, uma vez que os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do Estado.

Nova tarifa dos EUA
Foto: Divulgação

A incerteza provocada pelos sucessivos anúncios de taxação do governo dos Estados Unidos afeta as exportações capixabas desde abril de 2025. Na última quarta-feira (15), a confirmação de uma nova tarifa adicional de 25% sobre uma lista de quase 500 produtos comercializados pelo Espírito Santo com o país norte-americano trouxe novas preocupações para o setor produtivo. Ao final da matéria, confira a linha do tempo das medidas tarifárias.

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De acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), Paulo Baraona, o Espírito Santo está entre os estados brasileiros mais expostos ao novo ciclo tarifário, uma vez que os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do Estado.

“A sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais e amplia a insegurança para empresas brasileiras e norte-americanas. Em 2025, os Estados Unidos foram destino de 27% das exportações capixabas, o equivalente a US$ 2,8 bilhões, consolidando-se como o principal parceiro comercial do Espírito Santo”, explica.

Confira o posicionamento completo da FINDES

Dados do Comex Stat, compilados pelo OBSERVATÓRIO FINDES, mostram que, considerando as exceções divulgadas pelo governo norte-americano, os produtos capixabas sujeitos à tarifa adicional de 25% somaram mais de US$ 230,1 milhões em exportações em 2025. O valor corresponde a 2,3% de toda a pauta exportadora do Espírito Santo e a 8,1% das vendas do Estado para os Estados Unidos.

A nova tarifa está prevista para entrar em vigor em 22 de julho. Entre os segmentos capixabas potencialmente mais impactados estão o de rochas naturais e o agronegócio.

Alguns tipos de pedras naturais, madeiras, nozes, peixes e ovos foram incluídos na lista de produtos submetidos à sobretaxa, enquanto outros itens relevantes para a economia capixaba ficaram de fora.

“Apesar da extensa lista de produtos sujeitos à tarifa adicional de 25%, itens que representam uma parcela importante das exportações capixabas, como minério de ferro, celulose e café, foram isentos da medida”, afirma Baraona.

O presidente da FINDES destaca ainda que, ao mesmo tempo que a Federação e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) atuam pelo fortalecimento das relações comerciais com os Estados Unidos, as entidades também trabalham para diversificar a pauta exportadora e ampliar a presença do Espírito Santo no mercado internacional.

“Hoje, o Estado mantém relações comerciais com mais de 170 mercados. Avançar nessa diversificação é uma agenda estratégica para reduzir riscos, ampliar oportunidades e proteger a competitividade da indústria capixaba diante de possíveis impactos futuros no comércio internacional”, conclui Paulo Baraona.

Relação comercial do Espírito Santo com os EUA em 2025

  • US$ 2,8 bilhões exportações (2025)
  • 27% das exportações (2025)
  • US$ 1,4 bilhão em exportações (1º semestre de 2026)
  • 27,5% das exportações (1º semestre de 2026)
  • -17,2% exportações (1º semestre de 2026 x 1º semestre de 2025)

Confira a linha do tempo da Taxação dos EUA sobre produtos brasileiros:

  • 02 de abril de 2025: Donald Trump inicia o ciclo de tarifas recíprocas e inclui o Brasil na ofensiva comercial, com a aplicação de uma tarifa adicional de 10% sobre produtos brasileiros.
  • 03 de junho de 2025: o governo norte-americano eleva de 25% para 50% as tarifas sobre as importações de aço, alumínio e seus derivados, com base na Seção 232. A nova alíquota entra em vigor em 4 de junho.
  • 30 de julho de 2025: Trump impõe uma tarifa adicional de 40% sobre diversos produtos brasileiros. Somada à tarifa recíproca de 10%, a medida eleva a tributação total de parte da pauta brasileira para 50%. O governo norte-americano também publica uma extensa lista de exceções.
  • 20 de novembro de 2025: após avanços iniciais nas negociações bilaterais, os Estados Unidos retiram determinados produtos agrícolas brasileiros da lista sujeita à tarifa adicional de 40%.
  • 20 de fevereiro de 2026: a Suprema Corte dos Estados Unidos decide que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional — International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) — não autoriza o presidente a impor tarifas. Com isso, o governo norte-americano encerra as medidas tarifárias fundamentadas nessa legislação, incluindo a tarifa recíproca de 10% e a sobretaxa de 40% aplicada ao Brasil.
  • 20 de fevereiro de 2026: no mesmo dia, Trump anuncia uma sobretaxa global temporária de 10% sobre as importações norte-americanas, com vigência de 150 dias e fundamento na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. A medida entra em vigor em 24 de fevereiro.
  • 12 de março de 2026: em um processo paralelo, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) inicia investigações contra 60 economias, incluindo o Brasil, relacionadas à adoção e à aplicação de mecanismos para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado.
  •  1º de junho de 2026: o USTR conclui a investigação específica da Seção 301 sobre práticas comerciais brasileiras e propõe a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil, com uma lista de exceções.
  • 02 de junho de 2026: no processo paralelo relacionado ao trabalho forçado, o USTR propõe tarifas adicionais de 10% ou 12,5%, conforme a situação de cada economia investigada. Para o grupo no qual o Brasil foi incluído, a alíquota proposta é de 12,5%.
  • 22 de junho de 2026: termina o prazo para que empresas e entidades solicitem participação na audiência pública sobre a investigação específica contra o Brasil e apresentem um resumo de seus depoimentos.
  • 1º de julho de 2026: termina o prazo para o envio de manifestações escritas ao USTR sobre a proposta de tarifa adicional de 25%. Empresas e entidades apresentam argumentos contrários à aplicação da medida.
  • 6 e 7 de julho de 2026: o USTR realiza audiência pública com representantes dos setores privados brasileiro e norte-americano. Ao todo, 77 participantes prestam depoimentos sobre a proposta tarifária.
  • 15 de julho de 2026: os Estados Unidos confirmam a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, preservando exceções para determinados itens. A medida entra em vigor em 22 de julho de 2026.

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