Inadimplência recua no ES e 2 mil capixabas saem do vermelho
A redução, contudo, é discreta na comparação mensal.

Há sinais de alívio no bolso das famílias capixabas, ainda que o caminho para uma recuperação financeira mais ampla continue exigindo cuidado. Em julho, a inadimplência recuou para 31,5% e ficou abaixo do patamar registrado no mesmo mês de 2025.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiNa prática, cerca de 2 mil pessoas conseguiram regularizar suas dívidas em atraso na comparação com junho, em uma tendência de queda de inadimplentes que pode abrir algum espaço para o consumo no segundo semestre, quando o comércio se prepara para períodos de maior demanda, como a Black Friday e o Natal.
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As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo), com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A redução, contudo, é discreta na comparação mensal. A taxa passou de 31,6% para 31,5%, uma queda de 0,1 ponto percentual. O dado ganha relevância quando comparado a julho do ano passado, quando a inadimplência alcançava 33,4%, e à média de 2025, de 33,8%. O cenário indica uma trajetória de melhora que vem sendo observada desde o segundo semestre do ano passado, principalmente entre as famílias de menor renda.
“Temos um avanço importante quando olhamos a inadimplência em relação ao ano passado. O índice está abaixo tanto do registrado em julho de 2025 quanto da média daquele ano, o que sinaliza uma evolução gradual da capacidade financeira das famílias”, avalia André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES.
Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos (R$ 16.210), a inadimplência caiu de 35,5% para 35,2%. Em números absolutos, aproximadamente 5 mil pessoas desse grupo deixaram a condição de inadimplência no mês. Já entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, a taxa subiu de 9% para 9,5%, com cerca de 3 mil pessoas entrando nessa condição. O resultado líquido foi uma redução aproximada de 2 mil inadimplentes.
Apesar da melhora, o número de pessoas nessa situação ainda é expressivo: aproximadamente 1,283 milhão de capixabas estavam inadimplentes em julho. Desse total, 1,228 milhão pertenciam às famílias com renda de até 10 salários mínimos, enquanto cerca de 55 mil estavam no grupo de maior renda.
Para Spalenza, os números precisam ser observados em conjunto com o comportamento do endividamento. “A inadimplência está em uma posição mais favorável do que em 2025, mas isso não significa que as famílias estejam livres de pressão financeira. O consumidor continua recorrendo ao crédito e uma parcela relevante da renda está comprometida. Por isso, existe espaço para o consumo, mas esse movimento precisa acontecer de maneira responsável”.
Endividamento
Se a inadimplência traz uma notícia positiva, o endividamento – quando o consumidor possui contas parceladas ou compromissos financeiros a vencer, pagos em dia ou não – recomenda cautela. Em julho, 88% das famílias capixabas estavam endividadas, ante 87,9% em junho. Embora tenha havido uma pequena alta mensal, o índice ficou abaixo dos 88,5% registrados em julho de 2025 e da média anual de 2025, de 88,6%.
A diferença entre as faixas de renda chama atenção. Entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos, o endividamento chegou a 89,3%, abaixo dos 90,1% de julho de 2025. No grupo com renda superior a 10 salários mínimos, o índice ficou em 79,5%.
O cartão de crédito continua sendo o principal instrumento de endividamento das famílias. Ele aparece em 93,8% dos casos entre consumidores com renda de até 10 salários mínimos e em 97,5% entre aqueles que recebem acima desse valor.
Outras modalidades também apresentam diferenças entre os grupos. Nas famílias de menor renda, aparecem com destaque o crédito pessoal, utilizado por 15,8%, e o carnê, por 7,2%. Entre as famílias de maior renda, ganham espaço o financiamento de casa, com 14,5%, e o crédito consignado, com 10,7%.
Outro ponto de atenção está no tempo de atraso das dívidas. Entre as famílias com até 10 salários mínimos, 63% das dívidas estão atrasadas há mais de 90 dias, indicando que a recuperação financeira ainda ocorre de maneira lenta. No grupo de maior renda, por outro lado, a parcela de dívidas com mais de 90 dias de atraso caiu de 27,8% para 26,3%.
Com inadimplência abaixo dos níveis de 2025, endividamento ligeiramente menor que no ano passado e manutenção do acesso ao crédito, o cenário é considerado moderadamente favorável para o comércio capixaba nos próximos meses.
A proximidade das principais datas de vendas do calendário varejista pode ampliar esse efeito. Para o varejo, a estratégia passa por combinar preços competitivos, descontos para pagamentos à vista, parcelamento adequado e crédito responsável.
“Existe uma oportunidade para o comércio aproveitar a melhora da inadimplência, mas sem perder de vista a capacidade de pagamento do consumidor. A combinação entre acesso ao crédito, boas condições comerciais e responsabilidade financeira pode favorecer as vendas de final de ano sem criar uma nova pressão sobre as famílias”, ressalta Spalenza.
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