Documentário capixaba “Meu Pai e Eu” ganha sessões especiais
São esses vestígios, junto a relatos de amigos e familiares, que conduzem a narrativa do filme “Meu Pai e Eu”, uma jornada íntima que revisita memórias e silêncios.

Dez anos após a morte do pai, o diretor de cinema Thiago Moulin resolveu abrir a única herança deixada por ele: uma mala repleta de fragmentos de sua vida – fotos, cartas, poesias, cartões postais, textos escritos em guardanapos e outras lembranças de uma vida inteira.
São esses vestígios, junto a relatos de amigos e familiares, que conduzem a narrativa do filme “Meu Pai e Eu”, uma jornada íntima que revisita memórias e silêncios. A obra terá uma sessão especial para o público na quinta-feira, dia 24 de setembro, às 20 horas, no Cine Jardins, em Vitória, com exibição seguida de debate com o diretor. A obra estará em cartaz no cinema até o dia 30 de setembro.
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O filme foi selecionado para importantes festivais de cinema do Brasil, como o CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, Festival de Cinema de Vitória, Festival Guarnicê de Cinema e CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, além do Festival Internacional de Cine de Guayaquil, no Equador.
Além da temporada especial em cartaz no Cine Jardins, o filme está em circulação em espaços alternativos. Centros culturais, cineclubes, escolas, coletivos, projetos sociais, festivais e outras iniciativas podem solicitar uma sessão gratuita do filme por meio de um formulário disponível no site da Graúna, produtora da obra (https://www.graunadigital.com/docmeupaieeu).
As ações fazem parte do projeto de distribuição de impacto do filme, na esteira da sensibilização da campanha internacional Setembro Amarelo, que busca conscientizar sobre a prevenção ao suicídio e a importancia do cuidado com a saúde mental – tema este que o filme contribui para reflexão e debates.
Uma obra íntima que provoca discussões para todos
Thiago define o processo de produção da obra como “visceral e solitário”, mas também repleto de colaborações. “A cada documento ou fotografia que eu descobria, compartilhava reflexões com Iza Rosenberg, que me ajudou a organizar esse material caótico em algo compreensível. Ursula Dart foi meu porto seguro, ajudando-me a equilibrar os papéis de filho e diretor – uma tensão constante ao longo do filme”, conta. Outro momento decisivo e transformador se deu no processo de montagem, com participação de Hugo Reis e Tati Franklin, contribuindo para transformar as memórias em narrativa.
Entre desejos interrompidos e silêncios familiares, o diretor tenta quebrar os diversos ciclos de ressentimento que atravessam sua família. O resultado é um filme-ensaio que não tem medo de se expor. Para além da relação pai-filho do próprio diretor, convida o público a realizar seus paralelos e acessar seus universos pessoais. Ao falar de um homem comum, com erros e acertos ao longo da vida, a intenção de Meu Pai e Eu é valer-se de uma história particular como forma de discutir um tema universal.
Thiago Moulin transformou as lembranças, dúvidas e ressentimentos em filme, o que contribuiu para transformar a si mesmo em um processo compartilhado com o público. “Revi minha relação com meu pai, seus erros, acertos, e principalmente os silêncios. Esse filme não é apenas sobre ele ou sobre mim; é sobre como todos nós lidamos com as escolhas que moldam nossas relações”.
O filme foi produzido por meio de seleção no edital 024/2015, para produção de longa documentário capixaba, com recursos do Funcultura e do Fundo Setorial do Audiovisual, com apoio da Secretaria de Cultura do Espírito Santo (Secult) e Ministério da Cultura (Minc). A temporada de exibições conta com apoio do edital 015/2024, para difusão de obras audiovisuais capixabas, contando com recursos do Funcultura e Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), viabilizados também por meio de parceria entre Secult e Minc.
Sobre o diretor
Sócio e produtor da Graúna Digital, produtora especializada em documentários com temáticas sociais, Thiago Moulin assina a direção e produção de diversos curtas e médias, além da produção do premiado “Toda Noite Estarei Lá” (2023). “Meu Pai e Eu” é sua estreia como diretor de longa-metragem. Atualmente, está à frente dos projetos “Estado Sitiado”, longa sobre a greve da PM no Espírito Santo em 2017 e “Atingidos”, série sobre o crime ambiental contra o Rio Doce (ES/MG); e atua como produtor de O Doce y o Sal, longa-metragem no qual quatro moradores resistem à degradação do território em Pontal do Ipiranga (Linhares). Integra também o “Narrativas do Entorno – Núcleo de Desenvolvimento de Documentário em Sociedade e Saúde Mental”, projeto coordenado pela Graúna.
AGENDA CULTURAL
Sessão especial do documentário “Meu Pai e Eu” e debate com diretor Thiago Moulin
- Quando: 24 de setembro de 2026, às 20h
- Onde: Cine Jardins – Shopping Jardins
- Endereço: Rua Carlos Eduardo Monteiro de Lemos, 262, Jardim da Penha, Vitória (ES)
- Ingressos: poderão ser adquiridos no cinema ou pelo site https://cinejardins.com.br . O filme fica em cartaz até o dia 30 de setembro.
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