Cultura

Festival Cine.Ema coloca 18 curtas na disputa pelo voto popular

Este ano, 350 produções de 25 estados brasileiros disputaram uma vaga na seleção.

Festival Cine.Ema
Foto: Divulgação

Prepare a pipoca e ajeita o sofá: o 12º Festival Cine.Ema está no ar com 18 curtas-metragens brasileiros, disponíveis gratuitamente na plataforma oficial do festival (cineema.com.br) até o dia 19 de outubro. Os filmes se dividem em duas mostras, a 12ª Mostra Cine.Ema e a 9ª Mostra Cine.Eminha (voltada ao público infantojuvenil), e em cada uma o público pode eleger seu favorito ao prêmio de júri popular.

Este ano, 350 produções de 25 estados brasileiros disputaram uma vaga na seleção. Os 18 escolhidos variam em formato (ficção, animação, documentário, drama, entre outros) e vêm de 12 estados brasileiros: Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Pará, Bahia, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Rondônia e Ceará.

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Nas telas tem histórias de criança querendo virar pedra, jovens quilombolas tentando reconstruir a história de seu território, uma relação misteriosa entre céu e terra, ondas que deixam de fazer barulho e até um documentário que narra a suposta falência de uma rede de fast food, após a eleição de uma prefeita.

Por trás de histórias tão diferentes existe uma provocação em comum: e se, para imaginar o futuro, fosse preciso primeiro lembrar de onde viemos?

Esse é o espírito de “Ancestralizar”, conceito desta edição do Cine.Ema. Para muitos povos originários, o tempo não é uma linha reta: ele volta, se repete e se renova. O festival leva essa ideia para o cinema e propõe uma viagem por memórias, territórios, saberes e relações com a natureza sem transformar a discussão ambiental em uma aula, mas em histórias para sentir, pensar e assistir.

“A gente quis fazer um festival que não dissesse ao público o que ele deve pensar sobre o meio ambiente. Queremos oferecer histórias que provoquem outras perguntas. Às vezes, falar de futuro é falar de memória, de território, de quem veio antes da gente e do que ainda podemos aprender”, diz Vinicius Rodrigues, da Caju Produções, realizadora do evento.

Para votar, basta acessar cineema.com.br, assistir aos filmes e indicar o favorito de cada mostra. “É cinema com votação popular, mas também uma oportunidade de descobrir produções que dificilmente chegariam à programação comercial das salas de cinema”, afirma Vinicius. Os filmes ficam no ar até 19 de outubro.

O 12° Festival Cine.Ema tem patrocínio do Grupo Águia Branca, com apoio da Reserva Águia Branca, Sapucaia da Mata, Natureza Eco Lodge, TVE, da Unimed Sul Capixaba, além do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), do Museu do Amanhã e da Prefeitura do Rio de Janeiro. É uma realização da Caju Produções e do Ministério da Cultura, Governo Federal, viabilizada através da Lei Rouanet.

Filmes selecionados:

OS ARCOS DOURADOS DE OLINDA

• Direção: Douglas Henrique | Documentário | 20’59’’ | PB | 2025

• Sinopse: Olinda é palco de uma guerra fria tardia entre a primeira prefeita comunista do Brasil e o primeiro McDonald’s. O que fez Olinda ficar conhecida como a primeira cidade do mundo a falir um McDonald’s?

MUKUNÃ APRENDIZ DE PAJÉ

• Direção:  Rodrigo Sena | Documentário | 20’46’’| RN | 2025

• Sinopse: Mukunã está se preparando para se tornar o pajé da aldeia Potiguara Katu. As plantas de poder, mais antigas que os humanos, atuam como suas professoras no cuidado com o meio ambiente. O filme denuncia o desmatamento no território, que representa uma ameaça direta à vida dos indígenas.

UM RIO NÃO É

• Direção:  Amanda Miranda e Yurie Yaginuma | Doc. Experimental | 18’11’’| ES | 2025

• Sinopse: Está sol. Na vila de Regência, foz do Rio Doce, cai uma chuva forte. No ano em que completam dez anos desde o maior crime ambiental já visto na região, duas diretoras chegam à vila em busca do rio. O filme observa a passagem dos dias enquanto uma estranha voz e as palavras de um roteiro fantasma guiam o olhar. Escutando os residentes da vila, a chuva, o vento e a presença sutil dos seus corpos no espaço, procuram um filme que quase não existe, assim como o rio que, os moradores alertam, já não é mais o mesmo.

TE VEJO NA PRÓXIMA SAÍDA DO BOI         

• Direção:  Keila-Sankofa e DaVárzea das Artes | Ficção | 15’01’’| PA | 2026

• Sinopse: Entre o som das aparelhagens, danças e cores que tomam as ruas da Amazônia Paraense, nasce um romance que mistura o real e o encantado, revelando a magia viva de cultura e tradição.

PESCARIA: MORÉIA

• Direção:  Marinéia Anatório, Instituto Marlin Azul e Projeto Pescaria | Ficção |  15’01’’| ES | 2026

• Sinopse: Marinéia e a irmã Nilda entram no mangue para um dia animado de pesca de moréia. Como isca, um caranguejinho chamado macaqui. Escondida em buracos, entre as raízes, a moreia do mangue é um peixe de escamas marrom-escuro e escorregadio que é atraído pelo barulho que os macaquinhos fazem quando caem na água.

MEU E SEU

• Direção: Gabriel Freire | Curta-Ensaio | 7’41’’| BA | 2025

• Sinopse: A partir de um diálogo com seu pai e de fotografias analógicas da família, um cineasta revisita memórias e experiências de rejeição e acolhimento para refletir sobre amor, aceitação e os vínculos que atravessam gerações.

FRONTERIZA

• Direção: Nay Mendl e Rosa Caldeira | Ficção | 20’49’’| PR/SP | 2025

• Sinopse: Lucca, um jovem trans da periferia de São Paulo, viaja até o limite entre Brasil, Paraguai e Argentina em busca do pai que nunca conheceu. Lá conhece Diego, um paraguaio, que o apresenta os segredos da fronteira.

EU SOU QUILOMBOLA!

• Direção: Raoni Garcia e Matheus Vieira | Documentário | 18’22’’| MG | 2025

• Sinopse: “Eu Sou Quilombola!” acompanha os jovens quilombolas Julius Keniata e Carina Veridiano em um processo de investigação histórica e vivencial da comunidade Buieié, localizada na zona rural de Viçosa (MG). Por meio da escuta das mulheres mais velhas, da leitura de registros e da ativação da memória oral, eles buscam compreender o processo de constituição do território quilombola e qual o lugar deles nesse território.

CABEÇA DE BOI

• Direção: Lucas Zacarias | Documentário | 20’13’’| MG | 2025

• Sinopse: Em uma cidade brasileira do interior, a cabeça de boi simboliza tanto poder quanto estagnação. Ao chegar na região, um forasteiro desvenda os mistérios do local por meio da história centenária de um lote amaldiçoado na praça da igreja matriz.

BENEDITA      

• Direção: Lane Lopes e Cadu Azevedo | Ficção | 19’39’’| RJ | 2025

• Sinopse: Volta Redonda, interior do Rio de Janeiro. Submetida a um trabalho de alta periculosidade na Siderúrgica onde trabalha, Benedita começa a sentir ondas de calor que não cessam quando ela deixa seu posto. Sobrecarregada pela rotina, Benedita começa a derreter.

A MENINA QUE QUERIA SER PEDRA

• Direção: Jackson Abacatu | Animação | 9’ | MG | 2026

• Sinopse: Um menino curioso e uma menina serena se encontram à beira de um lago. Ali surgem reflexões sobre a vida, de forma sutil e inesperada. Afinal, o que é ser uma pedra?

8ª MOSTRA COMPETITIVA CINE.EMINHA

Filmes Selecionados:

QUANDO AS ONDAS DO MAR DESLIGAM

• Direção: Yasoda Nanda e Assaggi Piá | Animação | 14’ | BA | 2025

• Sinopse: Uma família atípica vive atenta aos cuidados do pequeno filho autista Fred. Em um dia ensolarado, de visita ao mar, a diversão está garantida nos pequenos acontecimentos, e pode ser interrompida inesperadamente quando se questiona os detalhes do funcionamento do mundo.

MINHA TIA SUZI

• Direção: Tatiana Horevicht | Ficção | 20’ | MT | 2026

• Sinopse: Renato, um menino de sete anos, é obrigado pela mãe a conhecer a irmã de seu falecido pai, uma mulher trans, que retornou do exterior para vender a casa da família.  Entre memórias e fotografias, acaba descobrindo uma nova forma de ver a vida.

KIKA NÃO FOI CONVIDADA

• Direção: Juraci Júnior| Ficção | 15’01’’ | RO | 2026

• Sinopse: Uma menina negra descobre que não é bem-vinda em uma festinha de aniversário. Enquanto aprendem sobre o valor de uma verdadeira amizade, crianças ensinam sobre empatia e acolhimento.

KAIRA E O TEMPORAL           

• Direção: Wagner Nogueira Mendes | Ficção Científica, Drama, Animação | 20’ | CE | 2025

• Sinopse: Sob o domínio da Máquina-Metrópole Cronos, que apaga o passado para controlar o futuro, a jovem Kaira é a última esperança de reacender memórias perdidas para libertar um povo sem história.

ESPERANÇA

• Direção: Amora Moreira e Marcelo Pereira | Animação | 13’08’’ | RJ | 2026

• Sinopse: “Esperança” acompanha a história de uma menina negra de 12 anos que sonha em se tornar jogadora de futebol profissional na periferia do Brasil. Enfrentando exclusão em campo e resistência em casa, ela encontra força no legado de sua avó e dá o primeiro passo rumo a um futuro próprio.

CAJUÍNA

• Direção: Mapa Macedo | Ficção | 16’36’’ | BA | 2026

• Sinopse: Na cabeça, que é terra fértil, a memória se faz raiz e a semente é o mistério da encantaria entre o céu e a terra. Através da sutileza de um simples encontro na cidade de Cachoeira, duas gerações semeiam essa sabedoria.

AURORA         

• Direção: Bruna Lessas | Ficção | 19’04’’ | SP | 2025

• Sinopse: Após um meteorito cair em seu quintal, Aurora acredita que seu pai, desaparecido no rompimento de uma barragem, virou minerador de asteroides. Ressignificando o luto ela fábula um novo elo de conexão.

Leia também: Artistas e produtores ganham novo prazo para inscrever projetos culturais em Cachoeiro

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