Setor de rochas amplia ofensiva internacional e busca novos compradores
Setor brasileiro de rochas naturais amplia atuação internacional com ações na Europa, Ásia e Oriente Médio e busca novos compradores.

O setor brasileiro de rochas naturais vai intensificar a busca por novos mercados internacionais com uma agenda de ações na Europa, Ásia e Oriente Médio. A estratégia inclui rodadas de negócios, atração de compradores ao Brasil e estudos voltados à expansão comercial.
O novo pacote foi apresentado pela Associação Brasileira de Rochas Naturais, a Centrorochas, por meio do projeto It’s Natural – Brazilian Natural Stone, e recebeu aprovação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a ApexBrasil.
Leia mais: Piloto de 22 anos morre em acidente durante trilha no Espírito Santo
As iniciativas serão desenvolvidas ao longo dos próximos cinco meses e terão foco na aproximação entre empresas brasileiras e compradores internacionais.
Somente nas ações que já contam com metas definidas, o setor espera atrair 65 novos compradores. Serão 20 participantes em uma rodada de negócios na Polônia, 25 adicionais na Marmomac Brasil e outros 20 durante a Xiamen Stone Fair, na China.
Setor busca reduzir dependência de mercados
A estratégia ganha força diante do aumento das tarifas norte-americanas sobre parte das rochas naturais brasileiras.
Em 2025, os Estados Unidos concentraram 53,5% do valor exportado pelo setor brasileiro, com US$ 795 milhões em compras.
Apesar da busca por novos destinos, o mercado norte-americano continuará no centro das ações do setor. A proposta é ampliar a presença em outros países sem reduzir as iniciativas de promoção e defesa comercial nos Estados Unidos.
O movimento também dá continuidade a estudos, missões internacionais e ações de inteligência comercial que já vinham identificando mercados com potencial para receber produtos brasileiros.
Com a nova etapa, a estratégia passa da prospecção para uma atuação mais voltada à geração efetiva de negócios.
“Já fizemos um trabalho importante de inteligência e prospecção para identificar onde estão as oportunidades para a rocha natural brasileira. Agora é hora de transformar esse conhecimento em negócios. A aprovação dessas ações nos permite acelerar a aproximação entre nossas empresas e novos compradores, ampliando os canais de acesso a mercados que já vinham sendo trabalhados. Diversificar é criar mais alternativas comerciais para as empresas brasileiras” afirma Tales Machado, presidente da Centrorochas.
Investimento chega a R$ 1,9 milhão
O novo pacote acrescenta R$ 1,9 milhão ao projeto setorial. Desse total, R$ 1,76 milhão serão aportados pela ApexBrasil e R$ 142,8 mil correspondem à contrapartida da Centrorochas.
Os recursos serão direcionados a ações comerciais, promoção de imagem e inteligência de mercado.
A Polônia será um dos primeiros mercados a receber uma ação mais ampla. Após estudos e uma missão prospectiva, o país sediará, em janeiro de 2027, uma rodada com 15 empresas brasileiras e 20 compradores internacionais.
O foco será principalmente em representantes da Europa Central e Oriental.
A programação prevê reuniões comerciais e visitas técnicas. A expectativa é realizar até 300 encontros empresariais, com potencial de US$ 8,5 milhões em negócios durante a ação e outros US$ 130 milhões nos 12 meses seguintes.
Dubai entra na agenda internacional
Antes da rodada na Polônia, o setor participará da Big 5 Dubai, no dia 24 de novembro.
A presença busca ampliar a visibilidade das rochas naturais brasileiras no Oriente Médio e fortalecer o relacionamento com compradores, especificadores e parceiros da região.
Em março de 2027, a estratégia terá duas frentes simultâneas: trazer compradores ao Brasil e ampliar a presença das empresas nacionais na Ásia.
Na Marmomac Brasil 2027, programada para os dias 2, 3 e 4 de março, serão recebidos 33 compradores internacionais.
Desse total, oito já estavam previstos inicialmente e outros 25 foram incorporados após a aprovação do novo pacote.
A iniciativa também reunirá 25 empresas brasileiras e poderá gerar até 825 encontros de negócios.
A estimativa aponta potencial de US$ 45,5 milhões em vendas durante o evento e nos 12 meses seguintes.
Os compradores também participarão de visitas técnicas para conhecer a capacidade produtiva nacional e a variedade de materiais disponíveis no país.
China será porta de entrada para compradores asiáticos
Duas semanas depois, nos dias 17 e 18 de março, a estratégia chegará à Xiamen Stone Fair, na China.
Durante a feira, 20 compradores internacionais serão conectados aos expositores brasileiros.
A rodada poderá gerar até 480 encontros empresariais, com potencial de US$ 42 milhões em negócios durante o evento e ao longo dos 12 meses seguintes.
A prospecção vai mirar mercados como Vietnã, Coreia do Sul, Malásia, Tailândia, Singapura, Japão, Taiwan, Índia e Turquia.
A feira chinesa será usada como plataforma para ampliar a presença comercial brasileira em diferentes países da região.
Inteligência de mercado entra na estratégia
Além da atração de novos compradores, o setor também pretende identificar mercados que já utilizam rochas brasileiras, mas recebem os produtos por meio de terceiros.
A estratégia busca encurtar essas cadeias comerciais e ampliar as vendas diretas de produtos de maior valor agregado.
Na Europa, esse movimento também leva em conta as perspectivas relacionadas ao Acordo Mercosul-União Europeia.
Entre as iniciativas previstas está um estudo sobre possíveis impactos do acordo para o setor, considerando competitividade, redução de barreiras tarifárias e efeitos sobre a indústria brasileira.
A Centrorochas também participará, entre os dias 12 e 16 de outubro, de uma Plenária Setorial organizada pela ApexBrasil, em Bruxelas.
A programação reunirá oito setores para discutir estratégias voltadas à ampliação da presença brasileira no mercado europeu.
Coreia do Sul também está no radar
Na Ásia, a Coreia do Sul aparece entre os mercados analisados.
O setor identificou fluxos indiretos de produtos brasileiros que passam por processamento ou comercialização em outros países antes de chegar ao consumidor final.
A proposta é aprofundar esse levantamento e identificar possibilidades de acesso mais direto para os exportadores brasileiros.
A estratégia também envolve questões logísticas.
Em reunião técnica com a ApexBrasil, a Centrorochas propôs cruzar os mercados de maior potencial comercial com as rotas disponíveis para avaliar alternativas de transporte mais competitivas.
A discussão também incluiu a possibilidade de articulação com armadores, levando em conta a demanda conjunta de diferentes setores exportadores.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiVocê no aquinoticias.com
Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726