Política Regional

TRE suspende duas pesquisas eleitorais realizadas pelo mesmo instituto no ES

As pesquisas afetadas pela decisão são as de registros ES-01361/2026 e ES-00353/2026. A suspensão vale para qualquer forma de divulgação dos levantamentos, tanto em meios físicos quanto digitais.

Eleições
Foto: Divulgação/TSE

Uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), publicada nesta quarta-feira (23), determinou a suspensão imediata de duas pesquisas eleitorais realizadas pelo Instituto Veritá. A medida foi tomada após a Justiça Eleitoral identificar 52 inconsistências nas informações sobre municípios e bairros onde as entrevistas teriam sido realizadas.

Segundo a decisão da desembargadora Eliana Junqueira Munhos Ferreira, juíza auxiliar do TRE-ES, os problemas encontrados impedem, neste momento, uma verificação segura de que os locais informados nos registros correspondem efetivamente aos pontos de coleta das entrevistas.

As pesquisas afetadas pela decisão são as de registros ES-01361/2026 e ES-00353/2026. A suspensão vale para qualquer forma de divulgação dos levantamentos, tanto em meios físicos quanto digitais. A determinação alcança sites, redes sociais, aplicativos de mensagens, releases, peças jornalísticas e publicações patrocinadas ou impulsionadas.

O Instituto Veritá também foi obrigado a retirar, no prazo de 24 horas, conteúdos relacionados aos resultados das duas pesquisas de seus próprios canais. A determinação inclui cards, vídeos, rankings, análises e chamadas que façam referência aos levantamentos.

Enquanto a suspensão estiver vigente, também fica proibida a republicação, o compartilhamento ou o encaminhamento dos resultados das pesquisas para veículos de comunicação. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa de R$ 10 mil por ato.

Além das inconsistências relacionadas aos locais das entrevistas, a decisão também determinou a apresentação de documentos para esclarecer dúvidas levantadas sobre o autofinanciamento das pesquisas.

Nesse ponto, porém, a decisão não conclui que tenha ocorrido irregularidade. A questão deverá ser apurada no decorrer do processo, a partir dos documentos que serão apresentados pelo instituto.

De acordo com o texto da decisão, o instituo de pesquisa terá dois dias para entregar documentos financeiros e relacionados à realização dos levantamentos. Entre os materiais solicitados estão comprovantes de pagamentos de serviços utilizados nas pesquisas, registros contábeis, extratos bancários, contratos e propostas vinculadas aos trabalhos.

A determinação também alcança os dados de coleta das duas pesquisas. O Instituto Veritá deverá apresentar as bases utilizadas nos levantamentos, indicando o município e o bairro informado para cada uma das 1.220 entrevistas realizadas em cada pesquisa.

A apresentação das informações deverá preservar a identidade dos entrevistados. O instituto também terá de informar qual foi a fonte oficial utilizada para delimitar os bairros registrados nas bases de coleta.

A decisão tem caráter liminar e, portanto, não representa uma conclusão definitiva da Justiça Eleitoral sobre a validade das pesquisas ou sobre eventual irregularidade no financiamento. O processo ainda seguirá com a apresentação da defesa, manifestação do Ministério Público Eleitoral e posterior análise do mérito.

O aquinoticias.com tentou contato com o Instituto Veritá, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto. Caso haja retorno, o texto será atualizado.

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