Política Regional

Apoio de Da Vitória e Marcelo Santos foi decisivo para eleição de Pazolini; entenda

Os números ajudam a dimensionar a importância dessa movimentação.

A vitória do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) sobre o governador Ricardo Ferraço (MDB) na disputa pelo Governo do Espírito Santo também abre espaço para uma análise sobre o peso das articulações políticas no segundo turno.

Entre os movimentos que merecem atenção está a mudança de posicionamento do deputado federal Da Vitória (Progressista) e do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União), que apoiaram Ferraço no primeiro turno e passaram a caminhar com Pazolini no segundo turno, etapa decisiva da eleição.

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Os números ajudam a dimensionar a importância dessa movimentação. No primeiro turno, Da Vitória recebeu 107.466 votos na disputa para deputado federal, enquanto Marcelo Santos conquistou 82.365.

Juntos, os dois parlamentares somaram 189.831 votos. A votação individual não representa, necessariamente, a quantidade de eleitores que acompanharia cada um em uma disputa para governador, mas revela a dimensão das bases eleitorais que ambos podem mobilizar no Espírito Santo.

O dado ganha ainda mais relevância quando comparado ao resultado final da eleição estadual. Pazolini terminou o segundo turno com 1.151.818 votos, contra 1.056.119 de Ferraço. A diferença foi de 95.699 votos. Ou seja, a soma das votações de Da Vitória e Marcelo Santos na eleição para deputado federal superou em quase duas vezes a margem que separou os dois candidatos ao governo.

Entretanto, isso não significa que os dois parlamentares tenham transferido automaticamente seus votos para o ex-prefeito de Vitória. A votação também não pode ser tratada como uma medida exata da capacidade de transferência eleitoral.

Ainda assim, a comparação permite levantar uma questão importante: quanto a adesão de lideranças com bases sólidas pode ter contribuído para consolidar a vantagem do candidato do Republicanos?

A força das alianças

No primeiro turno, Pazolini recebeu 1.048.633 votos, equivalentes a 49,65% dos votos válidos. Ferraço obteve 719.397 votos, ou 34,06%. A diferença inicial entre os dois foi de 329.236 votos.

Embora Pazolini já tivesse chegado à segunda etapa em posição favorável, o segundo turno exigia mais do que preservar sua base: era necessário conquistar novos eleitores e ampliar a capacidade de articulação política.

O resultado final mostra que o governador cresceu mais em números absolutos. O emedebista passou de 719.397 para 1.056.119 votos, um acréscimo de 336.722. o seu adversário, por sua vez, saiu de 1.048.633 para 1.151.818, incorporando 103.185 votos ao resultado do primeiro turno.

A diferença entre os candidatos, portanto, não pode ser explicada simplesmente pelo crescimento numérico do ex-prefeito de Vitória. Ferraço conseguiu atrair um volume expressivo de votos adicionais, mas não o suficiente para superar o adversário.

É nesse ponto que a aproximação de Da Vitória e Marcelo Santos com Pazolini merece ser examinada. Os dois parlamentares não eram figuras externas à disputa.

Além de possuírem votação expressiva, estavam inicialmente vinculados ao campo político de Ricardo Ferraço. A mudança de posicionamento, portanto, representou uma alteração no mapa de alianças que sustentava as duas candidaturas.

O peso político de Da Vitória e Marcelo Santos

Da Vitória construiu uma base eleitoral que lhe garantiu 107.466 votos para deputado federal. Marcelo Santos, por sua vez, recebeu 82.365 votos e consolidou sua presença política no estado. Embora a votação parlamentar não possa ser convertida diretamente em votos para governador, os resultados demonstram que ambos possuem capacidade de mobilização eleitoral.

A relevância desse apoio não está apenas na soma aritmética dos votos. Lideranças políticas podem contribuir para uma campanha de diferentes maneiras: articulando prefeitos e vereadores, mobilizando apoiadores, ampliando a presença territorial do candidato e ajudando a estabelecer pontes com eleitores que, inicialmente, estavam vinculados a outro grupo político.

Quando uma liderança muda de lado entre o primeiro e o segundo turno, o movimento também pode produzir efeitos simbólicos. A adesão pode transmitir a mensagem de que a candidatura de um ficou mais forte e a do outro enfraqueceu.

No caso de Pazolini, receber o apoio de dois parlamentares que estavam no campo adversário representou uma oportunidade de ampliar sua articulação política.

Para Ricardo, por outro lado, a mudança significou perder o respaldo público de lideranças que haviam caminhado com sua candidatura na primeira etapa da eleição.

É importante, entretanto, não confundir a declaração de apoio com uma transferência integral de votos. Parte dos eleitores pode ter acompanhado os parlamentares, enquanto outros podem ter mantido suas preferências anteriores ou escolhido o candidato adversário.

A análise também precisa considerar outros fatores: a força da candidatura de Pazolini na Grande Vitória, o apoio de outras lideranças, a campanha realizada entre os turnos e a decisão dos eleitores que haviam escolhido candidatos eliminados na primeira etapa.

Ainda assim, seria um erro ignorar a dimensão política das alianças dos líderes do Progressista e do União Brasil no estado.  A mudança colocou à disposição do candidato do Republicanos duas lideranças que, juntas, haviam recebido quase 190 mil votos na eleição para deputado federal.

A questão central não é afirmar que esses votos foram transferidos integralmente, mas reconhecer que o apoio de lideranças com bases eleitorais expressivas pode ter contribuído para a construção da vantagem final.

Em uma disputa decidida por 95.699 votos, a influência de alianças e articulações não pode ser descartada.

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