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Longa capixaba “Presença” chega aos cinemas dia 1° de agosto 

O filme mescla imagens de arquivo de trabalhos e intervenções dos artistas e performances inéditas.

Por Redação

11 mins de leitura

em 24 de jul de 2024, às 12h26

Longa capixaba Presença / Trailler Oficial
Longa capixaba Presença / Trailler Oficial

“Presença”, estreia na direção de um longa metragem, de Erly Vieira Jr, que também assina o roteiro. O longa foi selecionado para a Mostra competitiva do LGBTQIA+ Festival no Rio de Janeiro e será o filme de abertura do Festival de Cinema de Vitória, na competição oficial. Produzido pela Ladart Filmes, sediada em Vitória e com distribuição da Livres Filmes, o filme tem estreia nacional marcada para o dia 1 de agosto. 

“Presença” é um documentário em longa-metragem sobre três artistas afro-brasileiros, atuantes no Espírito Santo e com carreiras consolidadas internacionalmente, que fazem de seus corpos o meio e objeto de sua arte.

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Marcus Vinícius, Castiel Vitorino Brasileiro e Rubiane Maia construíram, portanto, as carreiras percorrendo o mundo em busca da reinvenção do próprio corpo. O filme mescla imagens de arquivo de trabalhos e intervenções dos artistas e performances inéditas, concebidas especialmente para o filme, e fazendo uso de um desenho de som e uma edição que valorizam conexões entre obras tão distintas. 

Visão do diretor

Para Erly Vieira Jr., “‘Presença’ é um filme sobre artistas que compreendem a performance como forma de insubordinação diante dos papeis sociais. Além de se costumarem predeterminar a eles com uma abordagem bastante poética, algo que sempre me instigou.

Entretanto, esses corpos são desobedientes, excessivos, transbordantes, muitas vezes levados a seus limites, e constantemente reinventados através de gestos, ritmos, movimentos, conectando-se a nós, espectadores, de formas bastante surpreendentes.” 

Questões como a relação com a paisagem e a conexão com a natureza e seus elementos, a fragilidade da experiência humana, a solidão existencial, a espiritualidade, a racialidade, a performance como uma metodologia de contato íntimo com o espectador, são alguns dos temas universais que o filme aborda.

“São temas bastante atuais e urgentes, e que mostram a conexão do trabalho desses artistas com os dilemas do mundo em que vivemos”, afirma Erly. “Artistas que produziram trabalhos em Vitória, no Espírito Santo, nosso local de origem, mas sempre com o olhar apontado para o mundo. E são nomes cuja relevância tem crescido bastante nos últimos anos.

Bienal de São Paulo

Castiel e Rubiane, por exemplo, estiveram na última edição da Bienal de São Paulo e a própria Castiel abriu em maio uma exposição individual em Bruxelas, numa importante galeria que a representa na Europa e Estados Unidos.” 

Ao fazer seu corpo performático surgir numa explosão, e muitas vezes enfrentando riscos físicos, Marcus Vinícius se propôs, através da sua arte, transfigurar a dor em leveza e em silenciosos rituais cotidianos. Rubiane sempre teve o desejo de voar como quem dança, mas o confronto direto com o racismo, após uma temporada vivendo na Europa, a fez buscar outros modos de conexão que atravessaram o Oceano Atlântico na diáspora afro-brasileira.

Entretanto, Castiel se autodeclara triplamente curandeira (como psicóloga, artista e macumbeira), que “escolheu ser peixe antes de ser humana”, segundo a tradição da cosmogonia Bantu. Ela entende sua travestilidade como uma transmutação, numa conexão espiritual com as matas e a força das águas, capaz de romper as armadilhas da racialização e da colonialidade. 

 “Presença” é o primeiro longa-metragem de Erly, realizador capixaba que possui curtas-metragens premiados em diversos festivais desde os anos 2000, e que nos últimos dez anos também passou a atuar nos campos da curadoria, em mostras e festivais Brasil afora, e da teoria audiovisual, sendo autor de livros como “Realismo sensório no cinema contemporâneo”, publicado em 2020.

“Presença” é um convite ao público para experienciar a proposta criativa dos artistas e também para refletir sobre suas próprias questões existenciais, fazendo coro às palavras certa vez escritas por Marcus Vinícius: “não só vemos os mundos com os olhos, mas também com os sonhos”. 

Sinopse

Três artistas afro-brasileiros, com carreiras reconhecidas internacionalmente, transmutam-se a cada performance. Marcus Vinícius, Rubiane Maia e Castiel Vitorino Brasileiro fazem uma reflexão sobre os limites que apontamos para nossos próprios corpos. 

Elenco

Marcus Vinícius, Rubiane Maia, Castiel Vitorino Brasileiro, Augusto Brasileiro, Manuel Vason, Tom Nóbrega e Tatiana Rosa 

FICHA TÉCNICA

  • Roteiro e Direção: Erly Vieira Jr 
  • Produção: Ursula Dart  
  • Assistente de direção: Melina Galante 
  • Direção de produção: Maria Grijó 
  • Som direto: Natália Dornelas 
  • Direção de fotografia: Ursula Dart 
  • Montagem: Carol Covre 
  • Desenho de som: Marcus Neves 
  • Trilha Sonora: Marcus Neves e Gimu 
  • Empresa Produtora: Ladart Filmes 
  • Empresa Distribuidora: Livres Filmes 

DOCUMENTÁRIO EM LONGA METRAGEM (2023) 71 minutos

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: não recomendado para menores de 14 (quatorze) anos. Contém nudez e temas sensíveis. 

ERLY VIEIRA – diretor:

Erly Vieira Jr (1977) entretanto, é cineasta, pesquisador, curador audiovisual e professor no curso de Cinema e Audiovisual da UFES. Vive e trabalha em Vitória, ES. É autor do livro Realismo sensório no cinema contemporâneo (Edufes, 2020), entre outros, e desde 2012 atua como curador em diversos festivais e mostras de cinema. Realizou dez curtas-metragens, entre ficções e documentários, incluindo Macabéia (2000), Saudosa (2005), Grinalda (2006), Avenca (2009) e O ano em que fizemos contato (2010). Presença é seu primeiro longa-metragem. 

Conheça os Artistas 

RUBIANE MAIA

Nascida em Caratinga (MG, 1979) graduada em Artes Visuais e mestra em Psicologia institucional pela Ufes, iniciou sua carreira no Espírito Santo. Seu trabalho é um híbrido entre a performance, a instalação e outros modos de expressão, como a escrita, a fotografia, o vídeo e a pintura.

Em geral, interessa-se pelo corpo, linguagem, memória, fenômenos e matérias orgânicas, sendo especialmente atraída por estados diferenciados de percepção e sinergia que englobam relações de interdependência e cuidado entre seres humanos e não humanos, como minerais e plantas. Os elementos da natureza, a paisagem e o meio ambiente muitas vezes são guias e co-criadores de suas obras.

Em 2015, participou da exposição ‘Terra Comunal – Marina Abramovic + MAI’, no SESC Pompéia. Em 2016, realizou o projeto ‘Preparação para o Exercício Aéreo”, viajando por paisagens de altitude como Uyuni (Bolívia), Pico da Bandeira e Monte Roraima. Dirigiu, entre outros, os curtas-metragens “EVO”(2015), “ÁDITO” (2017) e “Minha bateria está fraca e está ficando tarde” (2020).

Desde 2018 vem desenvolvendo o projeto ‘Livro-Performance’, criando ações que são concebidas em resposta a textos autobiográficos, particularmente influenciados por memórias transgeracionais conectadas a questões de gênero e raça, apresentado em diversos países.

Em 2022, lançou o projeto Divisa, uma instalação online que pode ser acessada em www.projetodivisa.com.  Em 2023, participou da 35a. Bienal de São Paulo. Site: https://rubianemaia.com/

CASTIEL VITORINO BRASILEIRO

Artista plástica, escritora e psicóloga. Nasceu na Fonte Grande (1996), em Vitória (ES). Graduada em psicologia pela UFES e mestra em psicologia clínica pela PUC-SP. Vive e trabalha no planeta Terra. Em sua prática multidisciplinar, Castiel estuda o mistério entre vida e morte, a chamada Transmutação, e as formas de se locomover entre essas zonas existenciais.

Seu pertencimento familiar na diáspora Bantu-brasileira é o fundamento articulado em suas pesquisas sobre medicinas e espiritualidade interespecífica (entre formas de vidas diferentes). Castiel é autora do livro “Quando o sol aqui não mais brilhar: a falência da negritude” (2022), e participou de exposições coletivas e individuais dentro e fora do Brasil, incluindo a Serpentine Gallery, em Londres, e a 35a. Bienal de São Paulo (2023). Foi selecionada na edição 2021 do Prêmio Pipa.

Sua exposição individual, “Relembre-se de Quando Conversamos sobre o nosso reencontro” (2023), entretanto, foi realizada na Mendes Woods Gallery (Nova Iorque). Como documentarista, é interessada em construir e registrar a complexidade da sua ontologia Bantu, em filmes como “A cambonagem e o silêncio inevitável” (2021). Além de “Uma noite sem lua” (2021) e “Para todas as moças” (2019),  premiado como melhor curta nacional no XII Janela Internacional de Recife.

Atualmente, desenvolve o projeto de longa duração “Kalunga: a origem das espécies” e, em maio de 2024, abre sua exposição individual “A linguagem dos anjos”, em Bruxelas (Bélgica), composta por trabalhos realizados durante uma longa viagem ao deserto do Marrocos. Site: https://castielvitorinobrasileiro.com/

MARCUS VINÍCIUS

Vitória, 1985 – Istambul, 2012 (In Memorian) foi um artista visual brasileiro que viveu e trabalhou no mundo, e um dos mais importantes nomes da geração de performers surgida no Brasil na primeira década do século XXI. Aliás, cresceu na ilha de Vitória e graduou-se em Artes Visuais pela Ufes. Em 2008, radicou-se em Buenos Aires.

A partir de 2007, passou a fazer do corpo o principal objeto e meio de sua arte, criando trabalhos em vídeo, fotografia, instalação, desenho e, principalmente, performance.

Durante cinco anos de produção solo, passou a explorar seus limites físicos e mentais, resistindo à dor, à exaustão, ao silêncio. E ao perigo na busca pela transformação emocional e espiritual em trabalhos duracionais.

Em seus rituais silenciosos, lentos e de gestos mínimos, muitas vezes enraizados na experiência cotidiana, ele explorava diversas dicotomias: ação/inatividade, movimento/imobilidade, presença/ausência, leveza/risco.

Apresentou trabalhos internacionalmente em galerias, projetos e festivais de 22 países: Brasil, Reino Unido, Argentina, Colômbia, México, Bolívia, Estados Unidos, Polônia, Portugal, Espanha, Itália, Rússia, Finlândia, Suécia. Além disso, Estônia, Letônia, Noruega, França, Peru, Palestina, Filipinas e Mongólia, onde realizou seu último trabalho presencial, em 2012, dentro da 2nd Land Art Biennial LAM 360°. Em 2011, foi professor visitante de Performance Art na Svefi – Sverigefinska Folkhögskolan, na Suécia.

Assim como, também atuou como curador independente no campo da performance, tendo sido o coordenador do LAP! _ e um dos organizadores do projeto Trampolim_ Plataforma de encontro com a arte da performance (2011-2012), um festival itinerante de performance que percorreu diversas cidades no Brasil e na Colômbia, reunindo artistas de diversas nacionalidades.

Falecimento Precoce

Após seu falecimento precoce, entretanto, sua família doou seu acervo de obras e textos para a Galeria de Arte Espaço Universitário, que realizou, em 2016, a retrospectiva “Marcus Vinícius”. Ainda em 2016, foi lançado o livro “Marcus Vinícius: A presença do mundo em mim”. A obra foi organizado por Erly Vieira Jr, cobrindo sua produção nas áreas de performance, fotografia e vídeo. Sua obra fotográfica e audiovisual pode ser acessada no site https://acervomv.com/, lançado em 2024. 

LADART FILMES – Produtora 

Além disso, Ladart Filmes é uma produtora de audiovisual sediada na cidade de Vitória, ES. Dentre suas obras audiovisuais, Os Incontestáveis, de Alexsndre Serafini, O Deserto de Akin, de Bernard Lessa e a série infantil Olha o Passarinho, em coprodução com a Caju Produções.

A empresa, entretanto, tem como sua sócia diretora Ursula Dart, produtora e diretora de fotografia de sócia diretora de títulos como Os Primeiros soldados, de Rodrigo de Oliveira, As horas vulgares, de Rodrigo de Oliveira e Vitor Graize, Didi, de Thiago Moulin, Toda noite estarei lá, de Tati Franklin e Suellen Vasconcellos.  

LIVRES FILMES – Distribuidora  

A Livres Filmes, portanto, é uma empresa que entrou no mercado de distribuição há 12 anos, com a missão de atuar junto ao nicho do cinema autoral, buscando as produções independentes, e se utilizando do circuito cultural das salas de cinema, das plataformas e das TVs. 

Para isso, a Livres Filmes quer atingir um mercado consumidor de cinema cultural, interessado na produção nacional ou em coprodução com o Brasil, bem como contribuir na formação deste público, por meio de ações integradas de difusão em festivais, mostras e cineclubes. Ao longo deste tempo, a distribuidora vem trabalhando com um calendário de lançamentos, que inclui filmes de realizadores veteranos e estreantes.  

Aliás, hoje a Livres Filmes traz no seu catálogo, filmes de ficção, documentário e animação. Além disso, ainda para 2024 está prospectando filmes de todos os gêneros já finalizados, e que atualmente fazem carreira em festivais, além de acompanhar projetos em fase captação e produção de realizadores independentes, a fim de alcançar o mercado.  

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