Espírito Santo

Parceria apoia hortas urbanas em territórios capixabas

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Horta _ UFES Maruípe
Foto: Divulgação

Uma parceria entre a Rede Urbana Capixaba de Agroecologia (RUCA), o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deu início à entrega, na segunda semana de março, de insumos e equipamentos destinados a fortalecer hortas urbanas e quintais produtivos na região metropolitana da capital do Espírito Santo.

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O projeto, que contempla diversas realidades e experiências em Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica (ES), visa  apoiar a produção de alimentos saudáveis e plantas medicinais e também promover cultura, saúde, educação ambiental e integração social nos territórios urbanos e periurbanos.

Durante as entregas, Girley Vieira, chefe de Articulação da Superintendência Federal do MDA no Espírito Santo, destacou a importância de políticas públicas para o apoio às hortas comunitárias urbanas com espaços potenciais de promoção à saúde, sustentabilidade alimentar e melhoria da qualidade de vida das pessoas nas cidades “Estamos acompanhando de perto a entrega desses materiais como uma forma de apoiar essas iniciativas. O objetivo é fomentar projetos e fortalecer redes que já existem nos territórios, incentivando hortas e promovendo espaços de integração e qualidade de vida nas comunidades capixabas “, afirmou Girley.

Realizado em parceria com o Coletivo Nacional de Agricultura Urbana, o projeto “Fortalecimento de Redes de Agricultura Urbana e Periurbana e Promoção em Cidades’ da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz é financiado pelo MDA e contempla um total de seis estados no Brasil.

No Espírito Santo, o projeto beneficia 13 hortas urbanas e outras iniciativas de quintais produtivos, que transformam espaços urbanos e periurbanos em fontes de alimentos, saúde e boa convivência.

Passo importante

Para Vitor Taveira, integrante da coordenação da RUCA, o projeto é um passo importante no processo de articulação e fortalecimento das políticas de agricultura urbana nas cidades capixabas.

“Nós mapeamos as necessidades desses espaços, inicialmente aqui em Vitória e região e conseguimos entregar ferramentas e insumos úteis e essenciais para o cotidiano dessas iniciativas de hortas. É um estímulo importante para comunidades organizadas e para projetos e outras iniciativas que com esforço desenvolvem ações. Nossa expectativa é que a política de fomento avance”, afirma Taveira.

De acordo com Vitor, a criação da Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, lançada pelo presidente Lula em agosto de 2024, é um reflexo de um movimento crescente que busca fortalecer essas práticas. “Ainda estamos no início, mas temos expectativas positivas de que essa política possa avançar e se consolidar, proporcionando mais apoio a essas iniciativas fundamentais para as comunidades.”

A Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, foi instituída pela Lei 14.935, de 26 de julho de 2024 e visa promover a segurança alimentar de populações urbanas vulneráveis, ocupar espaços ociosos nas cidades, gerar alternativas de renda e integrar a produção de alimentos com programas públicos de abastecimento. Também busca incentivar o trabalho em cooperativas e organizações solidárias, promover a agroecologia e o uso sustentável de resíduos e águas nas práticas agrícolas urbanas e periurbanas.

O superintendente do MDA no Espírito Santo, Laércio Nochang, explicou que para a efetivação da política, o governo federal prevê a abertura de linhas específicas de crédito para agricultoras e agricultores urbanos e periurbanos, ampliando o acesso ao financiamento para produção, processamento e comercialização dos produtos. Além disso, serão adotadas medidas como o fortalecimento de feiras livres e outras formas de venda direta, além de campanhas de valorização dos produtos da agricultura urbana e periurbana.

“No Espírito Santo, onde a agricultura familiar já desempenha um papel central no abastecimento e na geração de renda, essa política abre novas oportunidades para fortalecer a produção agroecológica em áreas urbanas e periurbanas, além da possibilidade de acesso de crédito para fortalecer cooperativas e organizações que já atuam nesse campo, promovendo um modelo de desenvolvimento mais inclusivo e sustentável.”

Alimentos, Cultura e Ancestralidade: Quintal do Capoeira

Na comunidade de Nova Rosa da Penha 2, em Cariacica, a entrega de insumos e equipamentos para horta fortaleceu o Quintal do Capoeira, uma extensão do projeto “Na Cadência da Ginga”, que trabalha com cultura popular e agroecologia. O instrutor de capoeira, Modelo, celebrou o apoio recebido, destacando que o quintal produtivo é um espaço onde se cultiva alimento, conhecimento e identidade. “Já temos oito anos na comunidade e tem dois anos que a gente tem esse quintal. E recebemos esse apoio da RUCA e parceiros trazendo suporte, trazendo insumos para a gente poder produzir mais a cada dia.”

Milson Evaldo Serafim, agrônomo do MDA no ES, ressaltou o impacto positivo da chegada das políticas públicas de agricultura urbana até as comunidades que mais precisam, fortalecendo iniciativas locais e impulsionando a produção de alimentos saudáveis nos territórios capixabas.

“Hoje a agricultura urbana e periurbana está dentro da política do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar. Então, esse fomento para estimular e expandir as atividades de produção de alimentos em áreas urbanas e periurbanas, é uma iniciativa que traz muitos benefícios, tanto do ponto de vista de ter alimentos de qualidade para a população, quanto de aprendizado, de convivência e interação social.”

Educação Ambiental e Inclusão Social: Associação Amor e Vida

Outra experiência contemplada com a entrega de insumos e ferramentas para hortas é a Associação Amor e Vida, que atende crianças e adolescentes das comunidades do bairro Antonio Ferreira Borges, região periurbana de Cariacica (ES). Com mais de 30 anos de atuação, a associação promove horta educativa como ferramenta de educação ambiental integrada ao trabalho de assistência social.

“Nós fazemos parte do terceiro setor, onde atendemos crianças e adolescentes de 6 a 15 anos em contraturno escolar. Ofertamos aqui o serviço de convivência e fortalecimento de vínculos para as famílias em vulnerabilidade social. E, dentro de tantas oficinas que nós temos aqui, também trabalhamos a preservação do meio ambiente e tudo que ele pode nos ofertar.” conta Sandra Marques, assistente social da Associação.

Segundo Fátima Guerra uma das responsáveis pela coordenação da Associação, as ferramentas e insumos doados pelo projeto chegaram numa ocasião fundamental de restruturação da horta. “Ela vem fomentar o trabalho que nós desenvolvemos aqui com a horta educativa, uma horta em que as crianças participam, que as crianças vão ser protagonistas, cuidando, plantando, cultivando o saber e cultivando também os alimentos. Então, com certeza, essa doação veio num momento muito importante para nós retomarmos todo esse trabalho da horta, afirmou Fátima.

Além da horta, o centro de educação ambiental da associação promove práticas sustentáveis, como a reciclagem, com iniciativas como a fabricação de vassouras a partir de garrafas PET e sabão a partir de óleo usado. “É todo o cuidado com essa criação, com a mãe terra, com o meio ambiente”, completou Fátima.

Extensão Universitária a Serviço da Saúde e Agroecologia: Horta na UFES Maruípe

No campus Maruípe da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), o projeto contemplou a horta comunitária integrada ao programa de extensão Florescer Saúde: cultivando Vidas e ao projeto de extensão projeto de extensão Panccult: cultivando saberes e sabores das Plantas Alimentícias Não Convencionais.

O espaço promove a produção agroecológica e atividades terapêuticas com pacientes da Clínica Escola Interprofissional em Saúde (CEIS), além de envolver estudantes e moradores da comunidade.

A entrega de equipamentos contribui para ampliar as práticas sustentáveis, como compostagem e cultivo de ervas medicinais, reforçando o papel da universidade na difusão da agroecologia e do cuidado integral com a saúde.

Resistência, Superação de Desafios e Retomada: Horta no Morro do Quadro

Em Vitória, o projeto beneficiou também a horta comunitária do Morro do Quadro, Cabral e Santa Tereza, que surgiu como resposta à crise alimentar durante a pandemia da Covid-19. Viviane Rodrigues, coordenadora da iniciativa, destacou que as hortas têm sido um instrumento de resistência e superação dos desafios sociais do território.

“Esta história começa em 2020, no momento da pandemia, onde muitas famílias ficaram desempregadas e precisando de um alimento saudável e seguro. O projeto entra ajudando mulheres que estavam em violação de seus direitos, crianças sem alimentos e uma comunidade totalmente violenta”, conta.

Viviane celebrou a retomada do projeto e o apoio recebido: “E aí vem estes materiais que vêm dar uma alavancada novamente no nosso projeto aqui dentro do Morro do Quadro. E eu estou muito feliz, agradeço ao trabalho de todos, conscientizando cada ser humano que precisamos da agroecologia. Obrigada MDA, RUCA, Fiocruz, vamos para cima.”

Horta Paraíso: Espaço Público voltado à integração comunitária e ao cuidado

Na pluralidade de contextos e territórios que a ação conjunta do MDA, RUCA e Fiocruz atendem estão experiencias como o da Horta Paraíso.

Localizada no Parque Municipal Pianista Manolo Cabral, em Vitória-ES, a horta que já conta com seis anos de existência tem sido um exemplo também de transformação de espaços públicos na promoção e fortalecimento de vínculos comunitários.

Dona Alda Guimarães, idealizadora e integrante do grupo de gestão da Horta Paraíso, enfatizou a importância dessa entrega. “Esses equipamentos e insumos são exatamente o que precisávamos. Tem sido uma luta diária, mas a horta está transformando o espaço e a vida das pessoas ao redor. Estamos criando um ambiente de calma e bem-estar no meio da cidade, e essa entrega traz um novo impulso para o nosso trabalho.”

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