De pai para filho! Festa das Canoas traz legado de família e muita tradição
Celebração mantém viva promessa feita por pescadores em 1910 e reforça a identidade cultural e religiosa do município.

A Festa das Canoas chega, em 2026, aos 116 anos e reafirma sua força como uma das maiores expressões de fé e identidade cultural de Marataízes, no litoral sul do Espírito Santo. Além disso, a celebração mantém viva uma promessa feita por pescadores em 1910, após um período de escassez de peixes na região.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiNaquele período, os homens do mar enfrentavam dificuldades para garantir o sustento. Diante disso, com a baixa na pescaria, eles prometeram que, caso a abundância fosse restabelecida, realizariam todos os anos uma festa em devoção ao Divino Espírito Santo. Desde então, a comunidade mantém a celebração sempre no segundo domingo de março.
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Com o passar das gerações, a promessa se transformou em tradição. Hoje, a festa reúne símbolos marcantes, como o mastro do Divino Espírito Santo e o som do tambor que anuncia a passagem da Bandeira pelas ruas da cidade.
Conhecida pelos moradores mais antigos como Festa da Praia, a celebração preserva rituais que traduzem sua história. Nesse contexto, o mastro do Divino, erguido de forma solene, anuncia publicamente o início da festa e simboliza a presença do Espírito Santo entre o povo.
Além disso, o tambor, também chamado de bumbo, cumpre a função de avisar a comunidade sobre a chegada da Bandeira do Divino. Assim, o som ecoa pelas ruas e prepara os fiéis para receber a bênção em suas casas.
Legado de pai para filho
Responsável por tocar o tambor, Sérgio Souza Moreira Júnior explica que herdou a função do pai. Segundo ele, a responsabilidade tem forte ligação com a história da própria família.
“Eu sou filho de Sérgio Souza Moreira, pescador muito conhecido aqui na comunidade de Marataízes e antecessor nessa função”, afirma.
Responsável pelo toque do tambor, Sérgio Souza Moreira Júnior também destaca o significado especial da celebração neste ano. Para ele, a data reforça o peso da tradição. “Esse ano completa cento e dezesseis anos de promessas”, ressalta.
Antes da emancipação de Marataízes, quando o município ainda fazia parte de Itapemirim, a Bandeira do Divino percorria diversas comunidades do interior. Segundo Sérgio, o trajeto começava na Paróquia Nossa Senhora do Amparo, em Itapemirim.
A partir dali, a bandeira passava por localidades como Jacarandá e Lagoa Dantas até chegar à cidade durante a semana da festa. Com a criação da Paróquia Santíssima Trindade, a organização da celebração passou para o município de Marataízes, tendo como referência a Igreja Nossa Senhora da Penha. Além disso, nesse período surgiu uma nova Bandeira do Divino, diferente daquela utilizada anteriormente.
Mais do que tambor
Responsável por anunciar a passagem da bandeira, Sérgio Souza Moreira Júnior explica que o tambor exerce papel essencial durante o percurso.
“Ele faz a marcação. Quando a Bandeira do Divino vinha percorrendo pelas ruas, o tocador vinha com o bumbo anunciando que a Bandeira estava chegando”, relata.
Ao ouvir o som, os moradores se organizavam para receber a visita em suas casas. Em seguida, a bandeira entrava nos lares, passava pela sala e pelos quartos e levava bênçãos às famílias.
Responsável pelo toque do tambor, Sérgio Souza Moreira Júnior também recorda memórias da infância ligadas à tradição.
“Muitas das vezes eu lembro, de menino, a Bandeira do Divino toda estendida na cama do casal, na casa do meu avô. É uma memória muito boa pra mim”, relembra.
Além disso, a continuidade dessa tradição também se fortalece por meio de um legado familiar. Isso porque, durante muitos anos, o pai de Sérgio foi quem anunciou a entrada da Bandeira do Divino nas procissões e celebrações.
Responsável por manter a tradição, Sérgio Souza Moreira Júnior conta que assumiu a função após o pai enfrentar problemas de saúde.
“Em 2023, infelizmente, o meu pai veio a falecer e desde então eu estou com essa função de anunciar a chegada da Bandeira do Divino, tanto aqui na igreja quanto na saída pra procissão”, afirma.
Assim, entre o mastro erguido, o som do tambor que ecoa pelas ruas e a emoção das famílias que recebem a Bandeira do Divino em suas casas, a Festa das Canoas reafirma, aos 116 anos, sua ligação com o mar, com a promessa dos pescadores e com a tradição que sustenta a história de Marataízes.
Informações
116ª Festa das Canoas – Festa do Divino / Festa da Praia
- Local: Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha
- Endereço: Avenida Miramar, 145, Centro de Marataízes (Praia Central)
Tríduo Preparatório
- Dias: 5, 6 e 7 de março
- Horário: 19h
- Local: Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha
Domingo Festivo – 8 de março / Missa Solene – 9h
- Procissão marítima após a missa, com as imagens de Nossa Senhora da Penha e do Divino Espírito Santo, acompanhadas pelos pescadores e pela comunidade.
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