Um bê-á-bá antes de votar
Em tempos de eleição, talvez compreender minimamente aquilo que chamamos de esquerda, direita, democracia e extremismo seja mais importante do que repetir os nomes que aprendemos a amar ou odiar.

Por Eduardo Machado
Política se tornou um assunto sobre o qual quase todo mundo tem alguma opinião e, ao mesmo tempo, sobre o qual muitas vezes falamos sem saber exatamente o significado das palavras que utilizamos.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp!Chamamos alguém de esquerda como ofensa. Outro responde chamando o adversário de direita. Comunista, fascista, conservador, progressista, liberal, socialista são palavras lançadas diariamente nas redes sociais, nas conversas de família e, especialmente em períodos eleitorais, nos grupos de WhatsApp.
O problema é que, quando uma palavra serve para designar qualquer coisa, ela termina não explicando coisa alguma.
Talvez, portanto, esta seja uma boa semana para voltar ao básico.
Não para dizer ao leitor em quem deve votar, mas para tentar compreender o que está em jogo quando falamos de esquerda e direita, por que essas diferenças são legítimas dentro de uma democracia e por que existe uma fronteira que nenhuma divergência política deveria ultrapassar: a própria destruição das regras que permitem que continuemos divergindo.
De onde vieram esquerda e direita?
Os termos nasceram durante a Revolução Francesa, no final do século XVIII. Na Assembleia, aqueles mais favoráveis à preservação da ordem existente e de certas instituições tradicionais se sentavam, grosso modo, à direita; aqueles que defendiam transformações mais profundas e maior igualdade política ficavam à esquerda.
Mais de duzentos anos depois, evidentemente, o mundo mudou e as palavras também.
Ainda assim, uma diferença continua útil.
De maneira bastante simplificada, a esquerda tende a considerar a desigualdade um dos principais problemas políticos e entende que o Estado possui responsabilidade importante em reduzi-la. Por isso, historicamente defende com maior intensidade políticas sociais, serviços públicos, direitos trabalhistas, redistribuição de renda, tributação progressiva e mecanismos de proteção aos grupos socialmente mais vulneráveis.
A direita tende a atribuir maior importância à liberdade individual, à propriedade privada, ao mercado e à responsabilidade individual, além de demonstrar maior preocupação com controle dos gastos públicos, segurança e preservação de determinadas instituições e tradições.
Essa distinção não é uma invenção de campanha eleitoral. É uma das formas clássicas utilizadas pela Ciência Política para organizar posições ideológicas. Estudos sobre os programas eleitorais brasileiros mostram que os eixos da intervenção do Estado na economia, da igualdade, da justiça social, da redistribuição e da liberdade individual continuam ajudando a distinguir esquerda e direita, embora as propostas concretas frequentemente misturem elementos dos dois campos.
E esse último detalhe importa.
A política real é muito mais bagunçada do que nossas definições.
No Brasil, ninguém cabe perfeitamente numa caixa
Uma pessoa pode ser economicamente liberal e defender direitos de minorias. Outra pode defender forte presença do Estado na economia e, ao mesmo tempo, possuir valores profundamente conservadores na vida pessoal.
Há eleitores de direita que defendem o SUS e programas de transferência de renda. Há eleitores de esquerda favoráveis à responsabilidade fiscal e à participação da iniciativa privada na economia. Há conservadores democráticos, liberais progressistas, social-democratas, socialistas, nacionalistas, libertários e muitas posições intermediárias.
Até os programas dos partidos brasileiros costumam combinar propostas tradicionalmente associadas aos dois lados. Pesquisas acadêmicas que analisaram plataformas presidenciais mostram justamente essa convivência entre conteúdos de esquerda e de direita.
Também é importante lembrar que uma parcela enorme da população brasileira não se reconhece claramente em nenhum dos dois polos. Em levantamento nacional do DataSenado realizado em 2024, 40% dos entrevistados disseram não se considerar nem de esquerda, nem de direita, nem de centro; outros 11% se declararam de centro.
Portanto, quando alguém diz que “o Brasil é de direita” ou “o povo é de esquerda”, provavelmente está simplificando uma sociedade muito mais contraditória.
Mas então quais são as diferenças?
Apesar dessas misturas, algumas questões costumam separar os campos.
Quando discutimos economia, a esquerda normalmente defende maior atuação estatal para corrigir desigualdades e assegurar direitos; a direita tende a confiar mais nos mecanismos de mercado, na iniciativa privada e na redução da intervenção estatal.
Na questão trabalhista, a esquerda costuma enfatizar proteção ao trabalhador, direitos coletivos e regulação; setores da direita frequentemente defendem maior flexibilização das relações de trabalho e redução de encargos como forma de estimular atividade econômica e emprego.
Em segurança pública, a direita brasileira tende a defender endurecimento penal, maior autoridade policial e, em alguns setores, ampliação do acesso às armas. A esquerda costuma enfatizar prevenção, políticas sociais, controle de armas e enfrentamento das causas sociais da violência, embora também existam diferenças importantes dentro do próprio campo progressista.
Nos chamados costumes, boa parte da esquerda aproxima-se de posições progressistas sobre gênero, direitos das mulheres, população LGBT e diversidade, enquanto parcelas importantes da direita defendem valores sociais e familiares mais tradicionais.
Na questão ambiental, a esquerda tende a defender maior regulação estatal e proteção ambiental; setores da direita frequentemente enfatizam propriedade, produção, agronegócio e menor interferência regulatória.
Nada disso significa que todas as pessoas de cada campo pensem exatamente assim. Significa apenas que existem tendências reconhecíveis.
E discordar sobre elas é absolutamente legítimo.
Aliás, a democracia existe justamente porque discordamos.
Democracia não significa concordar
Talvez esse seja o ponto mais importante deste texto.
Democracia não significa que todos pensem igual. Uma sociedade na qual apenas uma opinião pode ser expressa não é uma democracia particularmente harmoniosa. É uma sociedade autoritária.
A Constituição brasileira estabeleceu o pluralismo político como um dos fundamentos da República e definiu o país como Estado Democrático de Direito. Também determina que a soberania popular é exercida pelo voto direto e secreto, de valor igual para todos.
Isso significa que esquerda e direita possuem legitimidade para existir.
Um cidadão pode acreditar que impostos deveriam ser menores. Outro pode defender maior tributação sobre os mais ricos.
Um pode defender privatizações. Outro, empresas públicas.
Um pode ser conservador nos costumes. Outro pode ser progressista.
Um pode defender penas mais duras. Outro, políticas de prevenção.
A democracia não exige que resolvamos definitivamente essas divergências.
Exige algo mais difícil: que consigamos conviver com elas.
Isso pressupõe aceitar que meu adversário também possui direito de falar, organizar-se, disputar eleições e, eventualmente, governar.
Pressupõe ainda algo especialmente doloroso para quem se apaixona demais pela política: aceitar a possibilidade da derrota.
Se considero a eleição legítima apenas quando meu candidato vence, não estou defendendo propriamente a democracia. Estou defendendo meu candidato.
Democracia começa a ser testada justamente quando perdemos.
Direita democrática não é extrema direita
Essa distinção precisa ser feita porque o debate brasileiro dos últimos anos acabou confundindo conceitos.
Ser conservador não torna alguém fascista.
Defender livre mercado não torna alguém autoritário.
Ser contrário a um governo de esquerda não transforma ninguém automaticamente em extremista.
Existem inúmeras tradições de direita plenamente democráticas no mundo e no Brasil. Pode-se discordar profundamente delas e ainda reconhecer sua legitimidade.
O problema aparece quando a disputa deixa de acontecer apenas dentro das regras democráticas e passa a questionar as próprias regras; quando o adversário deixa de ser alguém que precisa ser derrotado eleitoralmente e se transforma num inimigo cuja existência política é considerada ilegítima; quando instituições são reconhecidas apenas enquanto produzem decisões favoráveis ao próprio campo.
É nesse ponto que precisamos falar sobre o bolsonarismo.
O bolsonarismo é apenas direita?
Não.
E reconhecer isso não significa dizer que todo eleitor de Jair Bolsonaro seja extremista ou antidemocrático.
Essa distinção é essencial.
Milhões de brasileiros apoiaram Bolsonaro por motivos diferentes: rejeição ao PT, preocupação com corrupção, segurança pública, valores religiosos, pautas econômicas, conservadorismo, insatisfação com o sistema político ou simplesmente por considerarem sua candidatura melhor do que as alternativas disponíveis.
Transformar todos esses eleitores em caricaturas não ajuda a compreender o país e reproduz justamente a intolerância que deveríamos criticar.
O bolsonarismo enquanto fenômeno político, porém, precisa ser analisado de maneira diferente do eleitor individual.
Há hoje uma literatura acadêmica ampla que o situa no campo da extrema direita. Um estudo publicado em 2025 pelos pesquisadores André Kaysel e Alvaro Bianchi, por exemplo, caracteriza o bolsonarismo como uma coalizão discursiva de extrema direita formada pela articulação de tendências como ultraliberalismo, conservadorismo cristão, autoritarismo militar e componentes neofascistas. Outros estudos chegaram a classificações semelhantes por caminhos metodológicos diferentes.
Isso não significa que a expressão “extrema direita” deva funcionar como xingamento.
É uma categoria de análise política.
E há fatos concretos que ajudam a compreender por que essa classificação ganhou espaço.
Quando a crítica às instituições ultrapassa a crítica democrática
Qualquer cidadão pode criticar o Supremo Tribunal Federal, o Congresso, o Tribunal Superior Eleitoral ou qualquer outra instituição.
Instituições democráticas não são sagradas. Podem errar, precisam ser fiscalizadas e devem ser criticadas quando necessário.
O problema começa quando a crítica se transforma em tentativa de retirar legitimidade das próprias regras do jogo.
Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral declarou Jair Bolsonaro inelegível por oito anos, contados a partir da eleição de 2022, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. O caso envolveu a reunião realizada com embaixadores em julho de 2022, na qual foram apresentadas acusações contra o sistema eleitoral. A decisão foi tomada por cinco votos a dois. Em outro julgamento, o TSE também reconheceu abuso de poder político e econômico relacionado às comemorações do Bicentenário da Independência.
Essas decisões não significam que toda crítica ao sistema eleitoral seja proibida. Democracias precisam permitir questionamentos.
A diferença está entre questionar apresentando evidências e construir desconfiança sem fundamento suficiente sobre a própria possibilidade de uma eleição legítima.
Essa fronteira é fundamental.
O 8 de janeiro não pode ser tratado como simples manifestação política
Também precisamos falar do 8 de janeiro de 2023 sem eufemismos.
Naquele dia, as sedes do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal foram invadidas e depredadas após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro.
O Supremo julgou individualmente participantes desses atos e condenou réus, entre outros crimes, por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado.
Não é correto, novamente, afirmar que todo eleitor bolsonarista participou ou concordou com aquilo. Muitos não participaram e muitos rejeitaram os atos.
Mas também seria intelectualmente desonesto tratar o episódio como se não tivesse relação alguma com a radicalização política que marcou parte daquele movimento.
Pesquisas sobre o bolsonarismo identificaram justamente a presença de posições favoráveis a alternativas antidemocráticas, teorias conspiratórias e uma concepção fortemente majoritária da democracia entre parcelas de sua base. Um estudo publicado na Revista de Sociologia e Política, baseado no Estudo Eleitoral Brasileiro, encontrou uma relação particularmente instrumental com as instituições: o apoio a determinados princípios democráticos variava conforme a posição de vencedor ou perdedor político.
E aqui encontramos talvez a característica mais perigosa do extremismo político.
Não é ter opiniões fortes.
É acreditar que apenas o próprio grupo possui legitimidade para governar.
O problema da intolerância
A política democrática precisa de adversários.
O extremismo prefere inimigos.
A diferença é enorme.
Um adversário é alguém que considero errado e que quero derrotar politicamente. Ainda assim, reconheço seu direito de existir, organizar-se e tentar me derrotar também.
Um inimigo é alguém cuja própria presença parece uma ameaça que precisa ser eliminada.
Quando a política adota permanentemente a lógica do “nós contra eles”, torna-se tentador acreditar que qualquer recurso seja justificável para impedir a vitória do outro lado.
É justamente por isso que discursos de desumanização deveriam preocupar democratas de esquerda, de centro e de direita.
A democracia não exige carinho entre adversários.
Exige limite.
Posso considerar o projeto político do outro profundamente equivocado sem desejar retirar dele os direitos que protegem também os meus.
É essa reciprocidade que impede a política de se transformar em guerra.
A esquerda também precisa aceitar limites
Seria um erro transformar esta reflexão numa história em que todo problema está de um lado e toda virtude no outro.
A esquerda também precisa ser criticada quando trata discordância como ignorância moral, quando confunde críticas legítimas às suas políticas com preconceito, quando se fecha em linguagens incompreensíveis para grande parte da população ou quando deixa de escutar inseguranças reais de trabalhadores que não se reconhecem em determinados discursos progressistas.
Nenhum campo político possui monopólio sobre a inteligência, a honestidade ou a preocupação com o país.
A democracia não precisa de uma esquerda incapaz de reconhecer seus erros nem de uma direita incapaz de reconhecer os seus.
Precisa de campos políticos que possam competir sem transformar a derrota do outro em condição para sua existência.
Isso significa também reconhecer que criticar o extremismo presente no bolsonarismo não equivale a afirmar que a esquerda está sempre correta.
São questões diferentes.
Podemos criticar um governo de esquerda por economia, corrupção, educação, saúde, segurança ou qualquer política pública e, simultaneamente, considerar inaceitável qualquer tentativa de ruptura democrática.
Não há contradição nisso.
O voto é mais do que gostar de uma pessoa
Chegamos, então, à eleição que estamos vivendo.
O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 foi realizado em 4 de outubro. Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, foram os dois candidatos mais votados e disputam o segundo turno no próximo domingo, 25 de outubro.
Isso torna esta discussão menos abstrata.
O eleitor brasileiro não está escolhendo apenas uma pessoa.
Está escolhendo um governo, ministros, prioridades orçamentárias, políticas econômicas, políticas sociais, concepções sobre segurança, educação, saúde, meio ambiente, relações internacionais e, inevitavelmente, uma maneira de compreender as instituições democráticas.
Por isso, votar conscientemente exige algo mais trabalhoso do que assistir a vídeos de trinta segundos.
Exige conhecer propostas.
Exige verificar informações antes de compartilhá-las.
Exige conhecer a trajetória de quem pede nosso voto.
Exige distinguir promessa de política possível.
Exige observar quem são as pessoas que cercam cada candidato.
Exige perguntar como cada projeto pretende enfrentar inflação, emprego, desigualdade, segurança, educação, saúde pública, endividamento, meio ambiente e crescimento econômico.
E exige também uma pergunta que não deveria ser secundária:
qual é a relação desse projeto político com a democracia?
O próprio TSE disponibiliza os planos de governo das candidaturas do segundo turno, além de informações sobre candidaturas, contas e outros dados eleitorais.
Consultar essas informações dá mais trabalho do que receber um vídeo pelo WhatsApp.
Democracia dá trabalho.
Não vote apenas contra alguém
Talvez um dos efeitos mais ruins da polarização seja transformar eleições em exercícios de rejeição.
Muita gente não vota em alguém.
Vota contra o outro.
Contra o PT.
Contra Bolsonaro.
Contra Lula.
Contra a esquerda.
Contra a direita.
Quando isso acontece, nossa capacidade de avaliar projetos diminui. Aceitamos defeitos graves do nosso próprio lado porque o outro nos parece ainda pior.
O voto consciente exige uma atitude mais adulta.
Não significa abandonar convicções nem fingir neutralidade onde existem diferenças reais. Significa ser capaz de cobrar também aquele em quem pretendemos votar.
Perguntar o que propõe.
Perguntar de onde virá o dinheiro.
Perguntar quem será beneficiado.
Perguntar quem pagará a conta.
Perguntar como se comportou quando teve poder.
Perguntar como reage quando é contrariado.
Perguntar se aceita fiscalização.
Perguntar se respeita a imprensa, o Legislativo, o Judiciário e a oposição mesmo quando essas instituições o incomodam.
E, sobretudo, perguntar se aceitaria democraticamente perder.
Essa última pergunta talvez revele mais do que muitos programas eleitorais.
A democracia é maior do que a nossa candidatura
Há algo que precisamos reaprender no Brasil: adversários políticos passam; instituições democráticas precisam permanecer.
Nenhum presidente é maior do que a Presidência.
Nenhum partido é maior do que a Constituição.
Nenhum líder é maior do que o direito dos cidadãos de substituí-lo.
É justamente essa possibilidade de substituição que diferencia o governante democrático do governante autoritário.
Na democracia, o vencedor recebe poder temporário.
Não recebe propriedade sobre o Estado.
A Constituição brasileira começa afirmando que todo poder emana do povo.
A frase é conhecida, mas talvez não tenhamos percebido sua radicalidade.
O poder não pertence ao presidente.
Não pertence ao Congresso.
Não pertence ao Supremo.
Não pertence ao Exército.
Não pertence aos partidos.
Pertence ao povo, que o delega temporariamente segundo regras que também limitam quem governa.
Domingo não é um jogo de futebol
No próximo domingo, milhões de brasileiros voltarão às urnas.
Alguns votarão com entusiasmo. Outros escolherão aquilo que consideram o menos ruim. Haverá quem esteja profundamente convicto e quem decida apenas nos últimos dias.
Tudo isso faz parte da democracia.
O que não deveríamos fazer é transformar a eleição em uma disputa na qual qualquer coisa vale porque nosso lado precisa vencer.
Depois da eleição, continuaremos vivendo no mesmo país.
Encontraremos no trabalho quem votou diferente.
Daremos aula para filhos de famílias que pensam diferente.
Sentaremos à mesa com parentes que fizeram escolhas diferentes.
E precisaremos continuar construindo alguma forma de vida comum.
Por isso, talvez o voto consciente comece antes da urna, com uma decisão intelectual relativamente simples: recusar a ideia de que política é torcida.
Não escolha apenas um nome.
Escolha prioridades.
Examine propostas.
Observe trajetórias.
Compare resultados.
Desconfie de notícias que parecem perfeitas demais para confirmar aquilo em que você já acredita.
Não transforme político em ídolo.
E não conceda a ninguém um cheque em branco apenas porque promete derrotar aquilo que você teme.
Especialmente numa eleição polarizada como a de 2026, escolher bem significa compreender que economia, segurança, educação, saúde e políticas sociais são fundamentais, mas existe uma condição anterior que permite continuarmos discutindo todas elas daqui a quatro anos: a preservação da democracia.
Podemos discordar sobre quase tudo dentro dela.
É justamente por isso que precisamos preservá-la.
Porque, quando a democracia funciona, quem vence governa e quem perde continua tendo direito de discordar, organizar-se, fiscalizar e tentar vencer novamente.
Talvez essa seja a regra mais simples e mais difícil da política: nenhuma vitória eleitoral vale a destruição do direito de voltar a escolher.
** Eduardo Machado é filósofo, professor e psicanalista.
As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM
