Política Nacional

“Os capixabas não se conhecem,” diz professor João Gualberto na Ales

O professor João Gualberto ressaltou a importância central da Assembleia Legislativa na história e no desenvolvimento do estado.

Por Redação

4 mins de leitura

em 25 de out de 2024, às 13h42

Foto: Lucas S. Costa
Foto: Lucas S. Costa

Os 190 anos da Assembleia Legislativa (Ales) estão sendo marcados por uma série de comemorações e também por cursos e formações, tanto para o público interno quanto externo. Nesta quarta-feira (23), teve início mais uma atividade: um curso sobre a história política do Espírito Santo, ministrado pelo professor João Gualberto Vasconcellos. 

João Gualberto é doutor em Ciências Sociais pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Leia Também: Deputados condenam atentado contra prefeito de Afonso Cláudio

O procurador-geral da Casa, Giuliano Nader, fez uma introdução do curso: “O professor João Gualberto não vai abordar somente a história da Assembleia Legislativa. Ele vai falar sobre a história política do Espírito Santo, os precedentes históricos e toda a construção necessária para que a gente chegasse até 1834 (ano de instituição da Assembleia Provincial); e de 1834 até aqui”, disse. 

O professor João Gualberto ressaltou a importância central da Assembleia Legislativa na história e no desenvolvimento do estado. “Estes elementos todos que fazem parte da nossa história são muito pouco conhecidos. Os capixabas não se conhecem, não se estudam, não se valorizam, não tem essa noção de pertencimento”, comentou. 

“A Assembleia tem um papel importantíssimo. E estamos falando desde a Assembleia Provincial. A gente tem de resgatar o lugar importante da Assembleia. E, nesse momento, esse lugar importante não tem o reconhecimento da opinião pública que deveria ter. A percepção que a gente tem é que a sociedade capixaba não dá a importância que a Assembleia Legislativa tem”, opinou. 

Os primeiros capixabas 

Nesse primeiro dia de encontro, que reuniu servidores da Casa e visitantes, o tema foi “Os primeiros capixabas”. A história política do Espírito Santo não tem como ser dissociada do restante do Brasil, da América e do mundo. Por isso, ao longo da palestra, o professor também pincelou acontecimentos e processos ocorridos na Europa e nos Estados Unidos. 

Gualberto traçou a história política capixaba desde as navegações portuguesas, passando pela expansão do cristianismo, o papel dos jesuítas na prosperidade do mundo colonial, a escravização dos povos indígenas e africanos, a formação de uma elite formada por grandes proprietários de terra e produtores rurais até o coronelismo nos tempos da República.

O período do coronelismo será aprofundado no próximo encontro, que ocorre na quinta-feira (24). “Em minha opinião, os coronéis instituíram a política no Brasil. A política como nós entendemos, a formação dos partidos, a formação do jogo de interesses, isso tudo é do universo dos coronéis”, afirmou.

Conservadorismo 

Após a palestra, os participantes puderam direcionar perguntas ao professor. Um dos pontos centrais do debate foi a influência do cristianismo na formação da sociedade capixaba e brasileira. A discussão acabou sendo trazida para os dias atuais, principalmente com a influência da população e dos líderes evangélicos na política brasileira nos últimos anos. 

Para João Gualberto, há um crescimento dos setores conservadores da Igreja Católica também, e, segundo ele, a tendência é a convergência entre as forças conservadoras evangélicas e católicas nos âmbitos social e político. 

O professor citou que o Espírito Santo é o estado com mais templos evangélicos per capita e Vitória é a capital mais evangélica do Brasil, segundo levantamentos recentes aos quais teve acesso. O crescimento da influência cristã conservadora também será aprofundado ao longo do curso.

Receba as principais notícias do dia no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta clicar aqui