Política Nacional

Mulheres vítimas de violência poderão ter direito a auxílio aluguel no ES

Mulheres impedidas de retornarem ao lar devido ao risco de agressão deverão receber auxílio financeiro

Aumento de violência contra grupos vulneráveis
Foto: Reprodução | Ales

Vítimas de violência doméstica poderão contar com ajuda extra caso o Projeto de Lei (PL) 277/2023 de Camila Valadão (Psol) seja aprovado pela Assembleia Legislativa (Ales). Trata-se do “Aluguel Maria da Penha”, destinado a mulheres que estejam impedidas de retornarem aos lares devido ao risco de novas agressões.

Segundo a matéria, para ter direito ao benefício de R$ 600 por mês durante um ano é preciso estar sob medida protetiva, atestar a condição atual de hipossuficiência, bem como comprovar renda de até dois salários mínimos antes da separação. A medida prioriza mulheres com filhos menores de idade.

O benefício poderá ser suspenso caso a mulher deixe de atender a qualquer um dos requisitos da norma, retorne a viver sob o mesmo teto que o agressor ou tenha a medida protetiva suspensa.

A autora determina que o Poder Executivo assuma a responsabilidade pela fiscalização do uso do aluguel e, em caso de utilização indevida, o governo deverá apurar a situação e abrir processo administrativo, além de estabelecer as sanções devidas. A propositura também exime o Estado de integrar o contrato de locação.

Números da violência

Camila aponta dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que mostram a necessidade de ampliar a rede de proteção às mulheres que sofrem em relacionamentos abusivos, por meio de políticas públicas que garantam nova moradia segura para essas mulheres.

“No Brasil, de acordo com a OMS, mais de 60% das mulheres que disseram ter sido agredidas pelo parceiro afirmam ter sofrido agressões físicas, o que reflete um padrão de abuso contínuo que pode ter consequências como dores pelo corpo, dificuldades para realizar tarefas cotidianas, depressão, abortos e tentativas de suicídio”, informa a deputada.

”O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em pesquisa divulgada em 2021, aponta que, para 48,8% das mulheres, a residência segue como o espaço de maior risco. No Espírito Santo, o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2022) registrou que, do total de mulheres assassinadas, 35% das mortes foram classificadas como feminicídio”, justifica a parlamentar. 

Tramitação

O PL foi considerado inconstitucional por gerar despesa para o Poder Executivo e, por isso, recebeu despacho denegatório da Presidência da Casa. A autora recorreu da decisão e a matéria foi encaminhada para análise de constitucionalidade na Comissão de Justiça. 

Você no aquinoticias.com

Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726