Projeto Mbónonhaga leva arte indígena a aldeias do Espírito Santo
O nome do projeto vem da língua Tupinikim: Mbónonhaga significa “arte, artesanato, fazer com a mão”.

Até a segunda-feira (29), nove aldeias Tupinikim e Guarani de Aracruz receberão o projeto Mbónonhaga, uma residência artística inédita que vai reunir artistas indígenas e curadoras convidadas em cinco dias de vivências, trocas e reflexão sobre a presença da arte indígena no circuito cultural.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiA vivência, surgida a partir do Núcleo de Projetos Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG), que apoia as articulações entre o território indígena e as instituições, é realizada com recursos do Fundo Estadual de Cultura (Funcultura), da Secretaria da Cultura (Secult) e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) do Ministério da Cultura (Minc), Governo Federal.
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O projeto
O nome do projeto vem da língua Tupinikim: Mbónonhaga significa “arte, artesanato, fazer com a mão”, expressão que sintetiza a proposta de fortalecer a produção artística dos povos originários no Espírito Santo, historicamente invisibilizada nos espaços institucionais.
Uma das participantes do projeto, Renata Apolinario, artista plástica, produtora cultural e gestora que atua no Núcleo de Projetos da AITG, aponta que a residência é uma estratégia de envolvimento e valorização dos trabalhos de arte das aldeias indígenas, fazendo uma ponte com pessoas, espaços e instituições reconhecidas no mundo das artes.
“Vamos conectar os artistas para que as próximas curadorias e exposições tenham uma relação profunda, direta e respeitosa com os povos indígenas”, diz.
Artista e liderança da aldeia Pau Brasil, Bárbara Tupinikim é residente e anfitriã no projeto. “Tanto para mim como para muitas artesãs e artistas que vamos visitar vai ser algo muito novo e diferente. Muitos nem se veem nesse lugar de artistas.
Mas esperamos que possam não só produzir como também fazer curadorias e exposições e levarem sua arte para além das vendas, mas como uma forma de expressão, como forma de usar essas linguagens para ecoar a luta, resistência, desafios e conquistas das mulheres indígenas”, pontua.
Uma das convidadas a participar e contribuir na residência é Naine Terena, curadora, educadora e pesquisadora indígena, que é uma referência nacional em curadoria de arte indígena contemporânea, tendo apresentado artistas originários em espaços como a Pinacoteca de São Paulo.
“Eu estou muito feliz de ter essa oportunidade de estar junto dos parentes do Espírito Santo. É a primeira vez que irei nesse território e acredito que é muito importante ter essa experiência de poder conhecer e ouvir tantas ideias e demandas para construirmos juntos as oportunidades”, aponta a curadora da etnia Terena.
A elas se somam na residência Mariana Leme, curadora e pesquisadora em arte contemporânea, com foco em processos colaborativos, formação de públicos e curadoria educativa; Cláudia Afonso, mestre em Museologia e Museografia, com especialização em Práticas Curatoriais e diretora do Museu Vale, responsável pela direção artística, executiva e de relações institucionais; e Ananda Carvalho, curadora e professora do Curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e integrante da equipe da Galeria Espaço Universitário, onde desenvolve programação expositiva, pesquisa de acervo e ações formativas.
Durante os dias, a programação inclui feiras de arte, visitas a ateliês, bate-papos e rodas de conversa, além de trilhas e vivências no território, ressaltando a conexão entre arte, natureza e espiritualidade. Também estão previstas pesquisas em acervos, produção de um catálogo digital, também será construído, um projeto coletivo da curadoria, já com conceito e escolha de espaço para uma grande exposição coletiva de arte indígena do estado do Espírito Santo.
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