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Política

Câncer no intestino é alvo de debate no Espírito Santo

Médicas destacam importância da prevenção e do diagnóstico precoce em reunião sobre o Março Azul

Por Redação

4 mins de leitura

em 21 de mar de 2024, às 13h13

Foto: Lucas S. Costa | Ales

A prevenção e o diagnóstico precoce do câncer no intestino foram os pontos destacados por médicas especialistas como ações essenciais de combate a doença durante reunião extraordinária da Comissão de Saúde realizada nesta terça-feira (19).

O convite às profissionais se deu na esteira do Março Azul, mês de conscientização da doença, cuja incidência vem aumentando em adultos e jovens. 

De acordo com a gastroenterologista Roseane Bicalho, por conta de hábitos como o consumo de alimentos industrializados e processados, excesso de carne vermelha, bebidas alcoólicas e tabagismo, pessoas que nasceram em 1990 têm o dobro de chance de desenvolverem câncer de cólon e quatro vezes mais risco de terem câncer de reto. 

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Mudança de hábitos

Com base em dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a coordenadora do Março Azul no Espírito Santo ilustrou que, entre 2006 e 2023, houve aumento de praticamente 80% na incidência desse mal no Brasil. “Isso é um dado realmente bastante assustador”. No estado, a estimativa é de 610 casos por ano entre 2023 e 2025.  

Conforme explicou a especialista, esse tipo de tumor aparece esporadicamente em 70% das ocorrências, ou seja, apenas em 25% dos casos está atrelado ao histórico familiar. “Nós temos que procurar as pessoas assintomáticas para poder fazer o exame”, alertou. 

Sobre a prevenção, Rosane Bicalho disse que ela pode ser primária. Entre as formas estão atividade física, dieta rica em fibra e redução do consumo de alimentos industrializados. Também recomenda a eliminação de processados e defumados.

Assim, aponta que é importante a realização da pesquisa de sangue oculto nas fezes (para detecção precoce) e, caso dê positivo, a colonoscopia. 

“O câncer de intestino é um dos poucos que têm prevenção”, ressaltou a convidada. Por meio da colonoscopia é possível retirar a lesão, que demora até 15 anos para evoluir. “A busca pela colonoscopia reduz a incidência no número de novos casos de câncer de intestino. A parada da colonoscopia como exame de prevenção aumenta o risco do câncer de intestino”, explicou.

Fila de espera

Segundo Roseane Bicalho, no Espírito Santo mais de 14 mil aguardam na fila devido à baixa oferta do procedimento. “Como isso se aplica na prática quando a gente tem 14 mil pacientes na fila de colonoscopia?”, questionou o presidente do colegiado, Dr. Bruno Resende (União), sobre as linhas de cuidados estabelecidas contra o câncer colorretal. 

A gastroenterologista Maria da Penha Zago, que retirou uma lesão do intestino, relatou a demora que haveria para uma eventual realização das 14.600 colonoscopias. Dessa forma, cobrou um novo modo de encarar o diagnóstico precoce. De acordo com ela, são necessários investimentos que redundem na melhoria da qualificação do pedido médico.

Conforme relatou, é possível observar, nas solicitações médicas, colonoscopias repetidas indevidamente. Ainda ressalta aquelas que não teriam necessidade de serem realizadas por conta de boa história clínica dos pacientes, além de procedimentos urgentes que entram na fila de maneira não referenciada. Ela pediu aos deputados que ajudem na articulação para promover a qualificação dos profissionais.

Contratualização

Outro ponto abordado pelas convidadas diz respeito à contratualização de hospitais para aumentar a oferta desses exames, sobretudo colonoscopia com polipectomia. Esse exame, que permite a retirada de pólipo, atualmente só é ofertado em uma unidade para os pacientes da rede pública. O assunto já foi levado ao conhecimento da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

Ladeado pelos colegas Hudson Leal (Republicanos) e Zé Preto (PL), Dr. Bruno cobrou uma gestão melhor tanto das filas quanto dos contratos firmados entre Estado e hospitais. O entendimento geral dos participantes é que existem mais hospitais que podem ser contatados para que ofertem a polipectomia.  

Para o parlamentar, não há sentido em submeter um paciente ao procedimento, de certa forma invasivo, e não aproveitar para remover o pólipo se for o caso e, em vez disso, ter que submetê-lo a uma nova fila para essa finalidade. “Ou seja, a gente gasta o recurso duas vezes”, frisou, além de ampliar a fila.

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