Sua cidade não tem sala de escuta? Veja o efeito destrutivo que isso pode trazer
A promotora de Justiça do Ministério Público do Estado (MPES) Valéria Barros de Morais lembrou que a escuta protegida foi instituída em 2018

A sala de escuta é um espaço reservado com o objetivo de evitar o contato de crianças e adolescentes abusadas sexualmente com o agressor. Apesar da importância, muitas cidades do Espírito Santo ainda não dispõem desse local adequado.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiA promotora de Justiça do Ministério Público do Estado (MPES) Valéria Barros de Morais lembrou que a escuta protegida foi instituída em 2018 (Lei Federal 13.431) e observou que os municípios estão atrasados na adoção da medida.
“Muito pouco avançamos. Essa audiência é também para cobrar dos municípios essa medida”, frisou.
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De acordo com a convidada, é preciso que as prefeituras cumpram a lei e estabeleçam a sala de escuta para evitar que vítimas dividam o mesmo espaço com agressores. A promotora também defendeu a capacitação de profissionais que atuam no segmento.
A defensora pública Adriana Peres Marques dos Santos concordou. Segundo ela, apesar dos avanços na investigação da violência sexual contra crianças e adolescentes, não há fortalecimento necessário da rede de proteção, incluindo a adoção de uma sala de escuta apropriada.
“Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou um boletim epidemiológico revelando que, no período de 2015 a 2021, mais de 200 mil crianças e adolescentes sofreram violência. Um terço deles sofreu essa violência mais de uma vez. E a grande maioria é de de meninas negras”, registrou Marques.
Esses dados foram reiterados pela representante da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos (Sedh) Rosânia Maria da Silva Soares, que preside o Conselho Estadual da Criança e Adolescente.
Debate sobre sala de escuta
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Espírito Santo homenageou militantes que atuam na defesa das crianças e adolescentes e promoveu debate acerca da rede de proteção desse público.
Dúvidas, críticas, demandas, dados e denúncias foram apresentados durante a audiência. A deputada estadual Camila Valadão (Psol) disse que dentro da competência do Legislativo a Comissão de Direitos Humanos vai construir intervenções com base na discussão.
Ela informou que sugeriu ao governo do Estado, em 2023, que promova a elaboração do Plano Estadual contra a Violência Sexual de Crianças e Adolescentes e que garanta a elaboração do Plano Estadual de Promoção, Proteção e Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente.
Camila se comprometeu a procurar o governo para saber a situação dessas duas demandas. Outra questão a ser tratada pela comissão é a situação precária de funcionamento dos conselhos populares e também como fortalecer a rede de proteção à criança e ao adolescente, incluindo a escola.
Fizeram parte da mesa a representante da Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades) Adriana Sales Carneiro; a membro do Fórum de Defesa da Criança e Adolescente Juliana de Oliveira Ramos; o vereador de Vitória André Moreira (Psol); e deputado distrital Fábio Félix (Psol).
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